Rural

Agriculturas familiares chefiam 12,2% das propriedades do segmento no Rio Grande do Sul

Percentual é inferior ao dos empreendimentos rurais familiares do Brasil, onde 19,7% das mulheres lideram

A liderança das mulheres nas propriedades de agricultura familiar no Rio Grande do Sul é menor que no cenário nacional. Dos 365 mil estabelecimentos rurais do estado, 293,8 mil (80,5%) são de agricultura familiar. Destes, apenas 12,2% são chefiados por mulheres, número que no Brasil sobe para 19,7%. As agricultoras representam um percentual menor no segmento, de 67,2%, contra 72,1% de homens na atividade. Os dados foram apresentados nesta sexta-feira pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria de Planejamento Governança e Gestão (SPGG), no relatório "Desigualdades de gênero dos ocupados com atividades ligadas à agricultura no RS".

O documento, produzido por pesquisadores do DEE a partir de parceria com a Emater/RS e a Secretaria de Agricultura Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), utiliza informações do Censo Agropecuário, da Pesquisa Nacional por Amostra por Domicílio, do Cadastro Único, da Pesquisa Nacional de Saúde e do Tribunal Superior Eleitoral. Entre outros destaques, aponta que entre os agricultores familiares gaúchos 90% das mulheres e 87% dos homens são brancos, ficando a população de negros e pardos no segmento entre 10 e 12%. Segundo a pesquisadora Mariana Pessôa, a predominância racial se deve à estrutura étnica do estado e à influência da colonização europeia.

As mulheres agricultoras familiares no estado estão em defasagem na questão da escolaridade, com apenas 7,3% da faixa etária de 25 a 34 anos tendo concluído o ensino superior, contra 10,4% dos homens. Outro dado preocupante é quanto a saúde mental feminina, uma vez que 12,1% das agricultoras se consideraram deprimidas, contra 6,7% do total de mulheres ocupados no país. "Isto sugere que talvez devam ser criadas políticas públicas específicas de saúde mental para essas trabalhadoras", destacou a pesquisadora Daiane Menezes.

A secretária da Agricultura, Silvana Covatti, reconheceu que os dados mostram o quanto ainda deve ser feito pela mulher do campo. "Nós trabalhamos muito e divulgamos pouco o que fazemos", pontuou. Por sugestão de Silvana, e com suporte do relatório do DEE, a Emater inicia na segunda quinzena de novembro uma pesquisa de campo entre as agricultoras familiares gaúchas, para investigar as condições em que vivem. O resultado deste trabalho deve ser apresentado no dia 8 de março de 2022, durante a Expodireto, em Não-Me-Toque.