A importância da irrigação para a agropecuária gaúcha e, sobretudo, para toda a economia do Rio Grande do Sul foi o tema do evento Tá na Mesa, promovido pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande Sul (Federasul) desta quarta-feira, 26, na sede da entidade, em Porto Alegre. O tema “Desafio da Irrigação na Resiliência Climática” foi abordado pelo economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antonio da Luz, e pelo senador Luiz Carlos Heinze, e esteve em pauta no tradicional encontro semanal visto as perdas consideráveis das recentes safras de grãos causadas por recorrentes estiagens.
Da Luz apresentou uma série de números que ilustram o quanto a economia do Rio Grande do Sul tem sido afetada pelas perdas causadas por estiagens desde 2020, nas regiões agrícolas. No período estavam projetadas produções que totalizariam 227.030.120 toneladas de grãos, mas as colheitas atingiram 178.474.842. Ou seja, uma perda de 48,6 milhões de toneladas. “Mais de uma safra inteira de grãos”, mencionou o economista. O tamanho das perdas encheria 851.847 carretas bitrem de 57 toneladas cada, que, enfileiradas tomariam 25.555 quilômetros.
Os produtores deixaram de faturar R$ 126,3 bilhões, valor que movimentaria R$ 400 bilhões para a sociedade gaúcha, ou 49% do PIB do Estado. E a relação entre a agropecuária e a economia do Estado é direta: para se ter uma ideia, em 2020 o PIB do setor encolheu 29,6% em relação ao ano anterior, e assim o PIB do Estado caiu 7,21%; e dois anos depois, o tombo foi de 41,70% para o setor, e de 2,80% para o Rio Grande do Sul. Como em 2021 não houve estiagem, o PIB do agro cresceu 53% e, então, o PIB gaúcho expandiu 9,30%. Atualmente cerca de 500 mil hectares de lavouras de grãos são irrigadas num universo de mais de 8 milhões de hectares cultivados.
E, desta forma, Da Luz lembrou que o RS tem crescido menos que outros estados do Brasil, que está crescendo menos que a média mundial.
“O Brasil está para trás em relação à média do mundo e o Rio Grande do Sul ficando muito atrás em relação à média do Brasil”, lamentou.
“Nós somos um estado que está ficando pobre e rápido. E quando olhamos e entendemos o porquê dos nossos problemas, tem na irrigação um ponto focal. A pauta da irrigação ou as perdas com a estiagem são fundamentais para os resultados que temos tido nos últimos anos”, disse. E acrescentou estas circunstâncias têm levado gaúchos a migrarem para outros estados. “O Rio Grande do Sul está diminuindo”, afirmou.
O economista ainda lembrou que o Estado não tem problemas com falta de chuvas, ao contrário do que ocorre com países como a Arábia Saudita, com índices pluviométricos bem aquém dos registrados no Rio Grande do Sul, que enfrenta estiagens de algumas semanas no decorrer do verão. Portanto, cabe ao Estado fazer o armazenamento da água em períodos chuvosos para usá-la em épocas secas. E, neste sentido, o senador Heinze destacou projeto de lei de sua autoria que destinou valores para a elaboração de um estudo técnico que mapeou áreas com potencial para a construção de açudes no interior das propriedades dos produtores rurais. O trabalho apontou locais específicos para a construção de 9.780 açudes, dos quais 3.286 já foram entregues aos agricultores – e os demais, mais de 6 mil, ainda serão feitos.
O senador listou vários municípios que estão com açudes em funcionamento e, consequentemente, a correspondente área irrigada com a água disponibilizada. Exemplificou que um município 900 açudes têm fornecido água para 48 mil hectares, e noutro 624 reservas de água atendem 31 mil hectares. Heinze esclareceu que o investimento para proporcionar a irrigação para a lavoura varia, em média, de R$ 25 mil a 30 mil por hectare, entre a construção do açude, a rede elétrica e a instalação do pivô ou pivôs, e é desembolsado pelo proprietário. Mas sugere que as prefeituras auxiliem os produtores com profissionais para dar suporte técnico aos produtores. “A solução é construir açudes para irrigar”, resumiu. “É um investimento produtivo no Rio Grande do Sul para resolver as perdas”.