A agropecuária registrou a maior variação do PIB brasileiro em 2025. Com crescimento de 11,7% em relação ao ano anterior, com destaque para o milho (23,6%) e para a soja (14,6%), que alcançaram produções recordes na série histórica, segundo o IBGE. O economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, explicou que o resultado se deveu a uma comparação baixa em 2024, por causa das perdas daquele ano. “Saímos de 290 milhões de toneladas (2024) para 350 milhões de toneladas (2025). Isso gera muita atividade econômica, não só na agricultura, mas também fora dela, na indústria, nos serviços”, descreveu.
De acordo com o boletim da Conab, o crescimento verificado na safra 2024/25 em relação ao ciclo 2023/24 é atribuído à expansão de 1,9 milhão de hectares na área cultivada, de 79,9 milhões de hectares para 81,7 milhões de hectares, bem como às condições climáticas favoráveis. O valor adicionado bruto do setor somou R$ 775,3 bilhões no período, o equivalente a aproximadamente 6,1% do PIB nacional.
Para o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o segmento tem papel estratégico. “Mesmo diante de dificuldades pontuais, como preços de commodities achatados e o endividamento em alguns segmentos, a resiliência, a competência e a capacidade produtiva do setor têm sido determinantes para o crescimento do Brasil”, afirmou. Para o coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon, esse é mais um “bom resultado para a economia nacional oriunda do setor agropecuário”.
O IBGE não anunciou os números regionais, mas, em dezembro, a projeção da Farsul era de uma queda de 10,66% no PIB agropecuário do Estado em 2025. A explicação para a redução significativa se baseava na severa estiagem que atingiu as lavouras gaúchas.
Falando sobre Brasil e a diferença entre os setores produtivos, Da Luz ressaltou que o fato de o PIB do agro ter crescido não significa que o produtor rural esteja bem. “O PIB é uma medida de produto. Não uma medida de lucro.” Ele ainda destacou que a taxa de investimento em relação ao PIB de 17% é considerada baixa, assim como de poupança de 14%. “É muito difícil um país crescer com uma taxa de investimento tão baixa e com uma taxa de poupança de 14%, com um governo que aumenta em muito o seu endividamento ano a ano. Está capturando essa poupança quase toda para ele e fica faltando dinheiro para a indústria, para os serviços, para o agro. Vai gerando as crises de crédito, fazendo com que o dinheiro fique mais caro para as pessoas”, observou.
Resultado nacional
O PIB brasileiro cresceu 2,3% frente a 2024. Os serviços registraram alta de 1,8%, enquanto a indústria, de 1,4%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 3.
Saiba o que é o PIB e por que ele é importante para avaliar a economia
