Rural

Agropecuária lidera em número de empresas sob recuperação judicial

Setor respondeu por 30,1% dos CNPJs que buscaram instrumento para preservar operações no país em 2025, aponta Serasa Experian

Riscos como clima e preços em baixa dos grãos comprimiram margens do agronegócio
Riscos como clima e preços em baixa dos grãos comprimiram margens do agronegócio Foto : Pixabay / Divulgação / CP

As empresas do setor agropecuário e de serviços lideraram os pedidos de recuperação judicial no Brasil em 2025, mostra um levantamento da Serasa Experian. Com 743 solicitações, a agropecuária respondeu por 30,1% do total de empresas envolvidas nesses processos no período, participação 3,8 pontos superior em relação à do ano anterior. No estudo, foram consideradas exclusivamente pessoas jurídicas atuantes no segmento, incluindo as classificações de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura.

Um resultado que chama atenção foi o forte avanço da participação das empresas do segmento agropecuário nos pedidos de recuperações judiciais em 13 anos. Em 2012, elas respondiam por 1,3% do total de pedidos. No ano passado, essa fatia saltou para 30,1%. No mesmo período, a parcela da indústria caiu quase pela metade, de 34,4% para 18,2%; o comércio recuou de 31,2% para 21,7%; e os serviços, que eram 33,1% das empresas em recuperação judicial em 2012, caíram para 30%.

“A distribuição dos pedidos reflete desafios distintos enfrentados pelos setores da economia, influenciados por fatores como custo de crédito, dinâmica de demanda e estrutura de endividamento das empresas”, destacou a Serasa Experian, em nota.

Além disso, a economista-chefe da datatech, Camila Abdelmalack, observa que o agronegócio tem riscos inerentes à atividade, como clima, preços em baixa dos grãos e pressões de custos como o de fertilizantes, que nos últimos tempos têm aumentado por conta do cenário internacional. “Em cenários adversos, esses fatores comprimem margens e capacidade de pagamento ao longo de toda a cadeia, do produtor à armazenagem, logística, agroindústria e tradings, elevando a necessidade de renegociação de passivos e tornando a recuperação judicial um instrumento para preservar operação e emprego”, disse Camila.

Recorde de solicitações

Em todo o país, o número total de companhias de todos os segmentos que pediram recuperação judicial para renegociar dívidas pendentes, reestruturar-se e conseguir manter o negócio de pé foi recorde. No ano passado, 2.466 empresas entraram na Justiça com pedido de recuperação judicial. Foi o maior nível dede 2012 e um número 13% maior do que no ano anterior.

Para chegar a esses números, a datatech coletou os pedidos de recuperações judiciais em todas as comarcas brasileiras. Também no ano passado, a quantidade de processos de recuperação judicial que podem envolver várias empresas de um mesmo grupo econômico em situação difícil atingiu o maior nível em dez anos. Foram 977 processos de recuperação judicial em 2025, com crescimento de 5,5% frente a 2024.

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