Rural

Apreensão em Westfália somou 18,8 toneladas de carne de frango

Informação foi divulgada pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários, que manifesta preocupação com privatização da inspeção no país

Para o Anffa Sindical, o episódio reforça a importância da manutenção das inspeções ante mortem e post mortem de animais destinados ao abate sob responsabilidade exclusiva de auditores fiscais federais agropecuários
Para o Anffa Sindical, o episódio reforça a importância da manutenção das inspeções ante mortem e post mortem de animais destinados ao abate sob responsabilidade exclusiva de auditores fiscais federais agropecuários Foto : Anffa Sindical / Divulgação / CP

De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), a apreensão de carne de frango em Westfália, no Vale do Taquari, por suspeita de influenza aviária de alta patogenicidade somou 18,8 toneladas.

A abertura da investigação sobre o eventual foco da patologia foi confirmada na quarta-feira, 4, pela Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.

De acordo com Anffa Sindical, a apreensão só foi possível porque auditores fiscais federais agropecuários detectaram problemas durante a inspeção antes do abate dos animais.

O sindicato questiona se a mesma medida teria sido tomada caso a inspeção estivesse a cargo de um médico veterinário credenciado e pago pelo próprio frigorífico, como prevê a proposta de regulamentação da Lei do Autocontrole, atualmente em consulta pública pelo Mapa.

Para os servidores, o episódio escancara os riscos do plano para a segurança sanitária e para a saúde pública, com a conclusão clara de que ele atende apenas aos interesses dos produtores.

O lote de frango pertence a um produtor do município de Teutônia, vizinho a Westfália. Ambas as cidades estão distantes pouco mais de 50 quilômetros de Montenegro, onde foi confirmado, no dia 16 de maio, o primeiro caso de IAAP em criação comercial no país. Os produtos apreendidos serão mantidos sob vigilância e só poderão ser liberados após exames laboratoriais confirmarem a ausência do vírus.

“Será que se fosse um médico veterinário pago pela empresa ele iria fazer essa notificação? Porque se o foco da doença for confirmado, toda a linha de abate vai ser paralisada e os prejuízos serão expressivos”, questiona o coordenador do Comando Nacional de Mobilização do Anffa Sindical, André Mendonça.

A proposta do Mapa prevê o credenciamento de profissionais terceirizados para atuarem na inspeção, sob remuneração direta dos frigoríficos. O Anffa Sindical considera esse modelo um grave conflito de interesses, com sérios riscos à saúde pública, e acionou o Ministério Público Federal (MPF) para contestar a regulamentação da lei 14.515/2022. Os profissionais da carreira estão mobilizados e não descartam paralisações contra a medida.

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