Rural

Audiência confronta agricultores e agentes investigados pela PF

Investigação apura fraudes na região do Vale do Rio Pardo

Investigação apura fraudes na região do Vale do Rio Pardo
Investigação apura fraudes na região do Vale do Rio Pardo Foto : Bruno Pedry /Especial CC
Audiência pública realizada nesta sexta-feira pelas comissões de Agricultura da Câmara dos Deputados e do Senado, em Santa Cruz do Sul, colocou frente a frente agricultores que afirmam ter sido lesados por supostas fraudes no Pronaf e agentes investigados pela Polícia Federal. Entre os 12 produtores que apresentaram seus relatos, vários alegaram que não receberam os recursos liberados pelo Banco do Brasil, ficaram endividados e sem crédito.

Um dos agricultores afirmou ter solicitado R$ 15 mil para financiar um trator, mas nunca teve acesso ao dinheiro. Outros defenderam as atividades do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e cobraram investigações sobre supostas apropriações de recursos por parte de empresas fumageiras. Os depoimentos começaram a ser tomados pela manhã, pois alguns produtores alegaram receio de se expor durante a audiência. Coodenador do encontro, o deputado Luis Carlos Heinze disse que nenhum agricultor pode sofrer ameaças por fazer denúncias. As duas comissões pretendem acompanhar todas as investigações.

O coordenador do MPA em Santa Cruz do Sul, Wilson Rabuske, apontado como operador do esquema, negou a participação em qualquer fraude e colocou à disposição documentos referentes aos agricultores que dizem ter sido lesados. Afirmou ainda que a Associação Santa-Cruzense dos Pequenos Agricultores Camponeses (Aspac), braço jurídico do MPA, arquivou cópias de todos os contratos que intermediou.

Pelo menos dez funcionários do Banco do Brasil estarão na agência central de Santa Cruz do Sul, a partir de segunda-feira, para analisar os casos. O delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário no RS, Marcos Regelin, informou ainda que a partir da próxima semana produtores da região serão visitados por agentes do setor para verificar supostas emissões irregulares de Declaração de Aptidão do Pronaf. Conforme a PF, nos últimos cinco anos, a Aspac recebeu créditos de 6,3 mil produtores e efetuou débitos de R$ 5,9 mil – o que, para a PF, significa que pelo menos 376 pessoas não receberam dinheiro de empréstimos.