Rural

BC divulga resolução que cria crédito de R$ 12 bilhões para produtores do RS renegociarem dívidas

Fetag cobra agilidade na publicação de normativa dos recursos no BNDES

Muitas lavouras precisam ser plantadas em outubro para garantir colheita
Muitas lavouras precisam ser plantadas em outubro para garantir colheita Foto : Valmir Thume / EmaterRS-Ascar / Especial / CP

O Banco Central divulgou, nesta sexta-feira, a resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que cria a linha de crédito de R$ 12 bilhões para os produtores rurais renegociarem dívidas oriundas de perdas com eventos climáticos recentes, como os anos sucessivos de enchentes ou estiagens vividos em solo gaúcho. De acordo com o presidente da Fetag-RS (Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul), Carlos Joel da Silva, a medida é importante mas ainda não resolve a questão.

"Precisa sair a normatização do BNDES para os agentes financeiros. Estamos cobrando para sair o mais rápido possível. A Fetag fez uma pressão forte e enfim saiu essa resolução", comentou.

Ele enfatizou a urgência da questão. "Se demorar para sair a normativa, muitos produtores não vão conseguir financiar a próxima safra. A agricultura tem tempo e o tempo está passando."

A Medida Provisória anunciada pelo governo federal durante a 48ª Expointer prevê a liberação de R$ 12 bilhões para Os recursos são oriundos do superávit financeiro apurado em 31 de dezembro de 2024 de fontes supervisionadas por unidades do Ministério da Fazenda.

Para o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, o tamanho da safra gaúcha dependerá de como as medidas anunciadas se mostrarão efetivas e em tempo de aliviar a situação dos agricultores endividado. Apesar disso, ele tem expectativa de que algo consiga ser colhido. “Faz anos que a gente não consegue colher. São sucessivos problemas climáticos que têm levado a maior parte da nossa produção. Colher é o que a gente mais quer, mas o tamanho da área plantada vai depender da capacidade do acesso ao crédito”, disse o economista, para quem há um grau de incerteza muito grande sobre a safra de 2026.

Ele aponta que foram mais de sete meses entre o início das conversas, em fevereiro, e a divulgação das medidas na abertura oficial da Expointer 2025. “Existe uma época certa para fazer o plantio. As plantas não podem esperar pela burocracia. Entre sair as resoluções, o produtor resolver sua vida no agente financeiro e comprar o insumo, levam dias. Isso não acontece do dia para a noite. Então, a safra 2026 está em aberto no Rio Grande do Sul”, completou.

A Farsul aponta ainda que alguns produtores que trabalham no cultivo do milho já iniciaram a fase de implantação das lavouras. Entretanto, são aqueles agricultores que já conseguiram, por conta própria, acessar o crédito para a safra. Ainda restam produtores que não sabem se conseguirão dar início à semeadura.

O mesmo vale para o cultivo na soja, que normalmente começa a ser plantada entre o final de setembro e início de outubro. “Não é uma tarefa fácil. Não temos condições de fazer estimativa de área plantada”, citou o economista.