A técnica vem sendo fomentada há cinco anos pela Ecocitrus Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caí, de Montenegro, que auxilia 68 produtores da região com o raleio dos pomares, manejo no qual o agricultor tira frutas menores do pé para assegurar porte comercial às demais. Segundo o gerente operacional da Ecocitrus, João Jacó Kranz, cada quilo de bergamota de raleio entregue rende ao fruticultor R$ 0,28, um extra bem-vindo em época de pré-colheita. O processo se inicia em fevereiro com a variedade Caí e vai até maio com a Pareci e Montenegrina.
A coleta, feita pela própria cooperativa com caminhões, só cresce. Em 2013, a Ecocitrus processou 700 toneladas de mandarina verde orgânica, sendo que 90% do óleo obtido foi remetido à Europa. Para 2014, a expectativa é processar de 800 a 1.200 toneladas. Para isso, a cooperativa está buscando mais grupos de produtores.
O transporte das frutas é feito com muito cuidado. Para diminuir o impacto no descarregamento e não perder nada da essência, um colchonete amortece a queda de cada fruta. “Quanto menor o manejo, melhor”, explica Kranz. Cada caminhão pode transportar de 4 a 12 toneladas. Assim que chegam à fábrica, as bergamotas verdes vão para a esteira onde são levadas até o silo.
A capacidade de processamento da fábrica é de 3 toneladas por hora. Após a lavagem das bergamotas, elas vão para a extratora, uma espécie de raladora que coleta apenas pequenas partículas da casca. “Vai girando e batendo as frutas”, explica. A água conduz o óleo até as centrífugas, que separam uma substância da outra. As frutas terminam o processo praticamente intactas. Antes de chegar ao cliente, o óleo é armazenado em tambores de 280 quilos que vão para câmara fria. Lá, o produto fica de quatro a seis meses a uma temperatura de 5°C a 8°C. O objetivo desta etapa é separar o óleo da cera, que vai representar de 1% a 3% do total.
Uma tonelada de matéria-prima rende 3,5 a 4 quilos de óleo. Um quilo de óleo essencial de mandarina verde orgânico é vendido a 60 dólares, enquanto o convencional é comercializado a uma média de 34 a 36 dólares. “É uma maneira de produzir orgânicos de forma a agregar valor”, avalia. Originalmente, o óleo é extraído da bergamota ainda verde, mas também pode ser feito com a fruta madura ou, ainda, da laranja. O óleo da madura, produzido em menor volume, é mais valorizado e custa de 85 a 90 dólares o quilo. Já o da laranja vale de 8 a 10 dólares o quilo.
Atenção especial ao raleio
Diferente das demais culturas frutíferas, a bergamoteira exige um cuidadoso manejo por parte do produtor. Cerca de um mês antes da colheita, ele deve executar o raleio, técnica que consiste na retirada das frutas menores em favor das maiores. Segundo o assistente técnico em fruticultura da Emater Derli Paulo Bonine, a ação é imprescindível por dois motivos: para assegurar uma regularidade de produção e, principalmente, para garantir boa cotação de mercado as frutas.
“Do contrário, as plantas entram em alternância, compensando a produção alta de um ano com uma muito aquém ou mesmo nada na temporada seguinte”, explicou. “E, mesmo nos anos de produção elevada, se não fizer o raleio, o produto não será atraente aos olhos do consumidor porque a planta não as consegue nutrir, prejudicando assim todo o pomar”, completou.
Com relação ao momento certo de realizar a ação, Bonine recomenda observar as frutas. Quando as primeiras atingirem 3 centímetros de diâmetro, deve-se arrancar, segundo ele, de 50% a 80% das que não atingiram este patamar.
