O Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR na sigla em inglês) foi um dos principais temas abordados no evento Agro em Código 2025 – Summit de Rastreabilidade no Agronegócio, realizado nesta quinta-feira, em São Paulo, no Cubo Itaú. A programação reuniu dezenas de participantes, de maneira presencial e virtual, inclusive de outras seis nacionalidades, e foi promovido pela GS1, a Associação Brasileira de Automação Brasil, entidade que atribui o código de barras de produtos. No Brasil, são 60 mil empresas associadas à GS1, que está presente em 150 países.
A EUDR é uma proibição da União Europeia para a importação de produtos agrícolas gerados em áreas que sofreram desmatamento depois de 31 de dezembro de 2020. Sete são as cadeias envolvidas: soja, carne bovina, cacau, café, madeira, borracha e óleo de palma. O agronegócio brasileiro é fornecedor de muitos destes produtos para o bloco europeu. A EUDR estava prevista para ser implantada em 31 de dezembro de 2025, mas, depois de solicitações de países exportadores, foi adiada para o final de 2026 (para grandes empresas) e meados de 2027 (empresas médias). No entanto, atualmente se discute novo adiamento para possibilitar as adaptações das empresas envolvidas.
Entre os palestrantes do evento, o conselheiro para Mudanças Climáticas, Meio Ambiente e Energia, Laurent Javaudin, também integrante da delegação brasileira da União Europeia no Brasil, que abordou, de maneira virtual, a importância da EUDR, abordagem feira com a mediação de Francesca Poggiali, vice-presidente de Políticas Públicas da GS1 Global. Javaudin, que acompanha a discussão da implantação da EUDR desde 2021, destacou que já esteve na Amazônia e mencionou o “desafio do desmatamento” enfrentado no Brasil. “O desmatamento é um desafio muito importante e temos que lutar juntos contra isso”, sintetizou.
Neste sentido, a princípio, ressaltou a iniciativa do governo brasileiro quanto ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que seria financiado por investimentos de vários países. E deixou claro que a legislação europeia a ser implantada é uma “mensagem muito forte” para o desmatamento. “O círculo vicioso tem que terminar”, argumentou. “Sinto muito, mas depois (da implantação) os produtos não vão mais entrar no mercado europeu”, advertiu. E esclareceu que a EUDR vai ser implementada, apenas não se sabe quando começará a ocorrer a verificação. “A rastreabilidade é a forma implementação”, complementou.
Javaudin ainda alertou que as próprias empresas importadoras podem ser punidas se não atenderem às exigências da futura EUDR. E, depois de mencionar iniciativas brasileiras em prol da sustentabilidade ambiental, a exemplo o Selo Verde, no Mato Grosso do Sul, e que se estende a outros estados, e o Cadastro Ambiental Rural (CAR), lembrou: “O Brasil pode dizer se está pronto (para a EUDR). Obviamente não sou eu.”
Já Francesca ressaltou que a prorrogação da entrada em vigor da EUDR é uma oportunidade que a União Europeia está concedendo ao Brasil para se adaptar. “A GS1 já está dando suporte para estas empresas com as ferramentas necessárias”, lembrou. “A regulação da União Europeia quer que haja comunicação entre as cadeias. Um padrão específico para todas as cadeias”, explicou. “Senão não vai ser possível compartilhar informações com os europeus”, justificou. “A GS1 é uma grande oportunidade de chegar lá, uma cadeia sem desmatamento”.