Representante da FAO no Brasil, o engenheiro agrônomo Alan Bojanic disse que do encontro sairá um documento que será emitido a título de “contribuição sugestiva” à presidente Dilma Rousseff e aos estados. “Vamos discutir nesse seminário técnicas que podem ser desenvolvidas ou aprimoradas, como manejo, tecnologias, sementes de boa qualidade, fertilização orgânica, enfim, um conjunto de ações que podem ser adotadas para ampliar a fronteira da produtividade”, comentou. “O fundamental, entretanto, é que o governo promova o assunto, definindo-o como uma questão de prioridade nacional. Tem muita terra que pode ser recuperada e aqui estou falando de milhões de hectares”, completou.
Além do aumento da produção, Bojanic destaca que o evento tem outro desafio: o de provocar uma reflexão sobre a fome no mundo. “Vamos aproveitar a presença dos produtores para ver de que modo o Brasil pode contribuir também para viabilizar acesso a alimentos a cerca de 875 milhões de indivíduos que sofrem diariamente com a privação de comida”, afirmou, antes de acrescentar que a maioria dessas pessoas mora no continente africano e na Índia.
Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Carvalho está convencido de que o alimento necessário para atender à crescente demanda mundial só pode vir do Brasil. Para justificar a crença, cita a robusta fonte de recursos hídricos do país e o “enorme” volume de terras improdutivas. “Para te dar uma ideia do nosso potencial, só com irrigação nós dobraríamos a produção”, frisou. “Mais: à exceção do Brasil, nenhum outro país do mundo apresentou ganho de produtividade nos últimos anos. Ou seja, estão na contramão do aumento da demanda que já estamos vivendo, pelo aumento da população urbana e, principalmente, pelo aumento do poder aquisitivo da população”, completou.
Carvalho ponderou, contudo, que há obstáculos logísticos graves que precisam ser superados para que o produtor se sinta instigado a investir. “A precariedade das estradas, a falta de ferrovias e o alto custo de transporte são adversários desse desafio. Pense: para que um produtor vai querer aumentar a produtividade se depois vai perder grande parte dela no escoamento? Estamos próximos do caos. Nos últimos dez anos, a produção mais que dobrou, enquanto a logística praticamente estagnou”, disse.
