De acordo com o assessor do Sistema de Produção e Sustentabilidade do Ministério da Agricultura (Mapa), Helinton Rocha, a agropecuária estará no centro do debate do evento que pertence a uma família de conferências das Nações Unidas que ocorrem a cada 20 anos. “Vamos falar sobre o combate à fome e ao êxodo rural, grandes problemas globais da atualidade”, diz Rocha. Em termos de tecnologia de produção sustentável, vai despontar o termo agricultura climaticamente inteligente, que é como estão sendo chamados os ajustes de tecnologias a eventuais mudanças climáticas, com baixo impacto e validade econômica. “Existe um interesse em saber como o Brasil desenvolveu a sua agricultura tropical.” Não à toa, o programa Agricultura de Baixo Carbono terá um painel especial no Riocentro, o espaço mais nobre da conferência da ONU.
A agropecuária brasileira também quer se fazer ouvir. No dia 21, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vai entregar o documento de posicionamento do setor à presidente Dilma Rousseff. Isso, em meio ao Segmento de Alto Nível (20 a 22 de junho), composto pelos chefes de Estado que se reunirão para tomar as decisões finais da conferência. Entre outras coisas, o documento trata a questão dos serviços ambientais, a segurança alimentar e os potenciais de verticalização do setor primário. Um exemplo são os 70 milhões de hectares de pastagem degradada, nos quais é possível, sem novos desmates, expandir a produção de grãos e fibras em 136,88% e a carne bovina, em 66,77%.
“Queremos mostrar o potencial de sustentabilidade da atividade primária”, diz a superintendente técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rosemeire Cristina dos Santos. No dia 20, as comissões de Meio Ambiente e de Reforma Agrária do Senado vão discutir, em audiência pública, a ideia de criação de uma Área de Preservação Permanente Mundial (APPM), sugerida pela CNA e pela Agência Nacional de Águas (ANA).
Mas nem só de sustentabilidade é feito o setor rural verde-amarelo. Há também os grandes passivos. As lideranças da pecuária, por exemplo, admitem que é preciso fazer o seu dever de casa. O superintendente de Marketing e Comercial da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), João Gilberto Bento, reconhece que quase um terço das pastagens brasileiras está degradado. “A tecnologia existe. O pecuarista é que precisa decidir colocá-la em prática”, assinala Bento. Segundo ele, a ABCZ também está preparando um documento no qual propõe a verticalização da pecuária, materializada em dois alicerces: genética e investimento na recuperação das pastagens.
Já o Conselho de Informação sobre Biotecnologia (CIB) apresentará um estudo que mensura o impacto da transgenia nas lavouras brasileiras nos próximos dez anos. De acordo com o levantamento, realizado pela Consultoria Céleres, o carbono evitado equivalerá a 3,8 milhões de toneladas de CO2 que deixarão de ser emitidas. Enquanto isso, a redução do uso de água será de 149 bilhões de litros.
