Rural

Casos de deriva caíram durante 2020

Levantamento mostra contaminação de 62% das 162 amostras analisadas de agosto a dezembro

Foto : JESSYCA BOLZAN / CP MEMÓRIA

O número de amostras contaminadas pela deriva do 2,4-D no Estado caiu 25,89 pontos percentuais no período de agosto a dezembro – quando há aplicações do herbicida nas lavouras de soja – de 2020, em relação a 2019. Segundo levantamento divulgado ontem pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) no ano passado 101 amostras apresentaram a presença do princípio ativo, o equivalente a 62,34% do número de coletas analisadas (162). Já em 2019 135 amostras tiveram resultado positivo, o correspondente a 88,23% das 153 coletas enviadas ao laboratório.
Ainda conforme o relatório, caiu o número de propriedades atingidas pela deriva, de 110 em 2019 para 89 no ano passado. O município com o maior número de casos foi Jaguari, onde 21 propriedades denunciantes tiveram parreirais contaminados. Ao todo, 31 municípios apresentaram pelo menos um caso. Além do 2,4-D, houve confirmação da presença de Clomazona, produto utilizado largamente em áreas de arroz, em 40 amostras (34 delas também continham 2,4-D). O herbicida Quincloraque apareceu em três coletas.
O número de denúncias cresceu. Em 2020, a secretaria recebeu 137 contatos de produtores, enquanto que em 2019 foram 123. Para o chefe da Divisão de Insumos e Serviços Agropecuários da secretaria, Rafael Lima, o registro maior de reclamações está atrelado à divulgação e conscientização sobre o assunto, além da abertura de canais de denúncia por e-mail (denunciahormonais@agricultura.rs.gov.br) e pelo Whatsapp (51- 9 8412-9961).
Para Lima, a redução das amostras contaminadas já é resultado das Instruções Normativas que instituíram regras para uso dos agrotóxicos hormonais e pautaram a atuação dos fiscais. “A redução dos laudos positivos demonstra que a resposta está à altura do problema”, constatou. O secretário Covatti Filho também acredita que a criação da legislação foi um caminho acertado. “Priorizamos o diálogo com as entidades para que a harmonia do campo seja fortalecida”, destaca.
Mesmo assim, o embate entre sojicultores, que fazem aplicação do produto, e os produtores de cultivos sensíveis permanece. Há 20 dias, a Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi) e a Associação de Vinhos Finos da Campanha Gaúcha ingressaram na Justiça com ação civil pública contra o Estado para solicitar a suspensão do uso do 2,4-D, alegando novas perdas milionárias na produção.
O mesmo levantamento informou o volume de 2,4-D vendido no Rio Grande do Sul nos últimos três anos. Em 2020, foram adquiridos pelos produtores rurais 6,276 milhões de litros do produto, uma leve retração em relação aos 6,282 milhões de litros vendidos em 2019. No entanto, o volume do ano passado supera o de 2018, de 6,178 milhões de litros.