Apesar das dificuldades geradas pela pandemia de Covid-19 nos últimos três anos, a Ceasa (Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado (SDR), mostrou expansão no período. No ano passado, a oferta de produtos do entreposto totalizou 560,6 mil toneladas e o valor comercializado chegou a R$ 2,4 bilhões, cifra 32,37% superior à obtida em 2021 e 40,91% acima da média do triênio 2019-2021, que foi de R$ 1,7 bilhão. Divulgado ontem, o resultado é um marco na história da empresa de economia mista, que completará 50 anos em março do próximo ano.
A receita da Ceasa vem crescendo desde 2018. Segundo o presidente da Ceasa, Ailton dos Santos Machado, foram decisivas para o bom desempenho dos últimos três anos as medidas de apoio aos permissionários (comerciantes e produtores que alugam espaços no complexo) adotadas no início da pandemia, em 2020. “Protelamos 20% dos pagamentos deles naquele período mais crítico e cobramos isso de maneira parcelada, depois que as vendas começaram a voltar ao normal”, explica Machado. “O supermercado, a fruteira e a feira continuaram vendendo e, com isso, não caiu tanto o nosso movimento.”
Fatores para o salto financeiro
Outro fator que contribuiu para o salto financeiro do ano passado, avalia o dirigente, foram os investimentos nas instalações do complexo, que resultaram em aumento da procura por espaços no local. A Ceasa realiza de duas a três licitações por ano e cada concorrência tem registrado em média 20 novos permissionários. “Temos monitoramento de mais de 230 câmeras, segurança armada privada e (boas) condição de limpeza dentro da Ceasa, temos conseguido atrair muitas empresas nos nossos processos licitatórios”, destaca Machado.
Medidas de corte de despesas, como um plano de demissão voluntária (PDV) iniciado no ano passado, também ajudaram a manter as finanças no azul. Com o programa, a Ceasa reduzirá seu quadro de funcionários de 30 para 18 até o final deste ano. Após mais de 30 anos sem realizar concurso público, a empresa reformulou seu plano salarial e abriu uma nova seleção em 2021, com 10 vagas de analista e agente técnico. Hoje, segundo Machado, a empresa tem uma folga de R$ 13 milhões no caixa – quase o triplo do valor aferido no início de 2019. “Esse valor, que vai continuar crescendo, será reinvestido nas melhorias necessárias ao complexo, (por exemplo), nos prédios, no asfalto, na rede hidráulica”, afirma o dirigente.
Localizado no Bairro Anchieta, na zona norte de Porto Alegre, o complexo da Ceasa ocupa uma área de 42 hectares – o tamanho aproximado de 60 campos de futebol. Por seus pavilhões, passam cerca de 50% dos legumes, frutas e hortaliças consumidos no Rio Grande do Sul. A empresa tem 1.731 produtores rurais e 314 empresas atacadistas cadastrados. Entre os produtos comercializados no entreposto em 2022, o tomate caqui longa vida foi o campeão de vendas, com um volume de 56,5 mil toneladas. Em seguida, vêm a batata-inglesa, com 47,18 mil toneladas; a melancia comum, com 27,3 mil toneladas; a batata-doce, com 26,3 mil toneladas, e o mamão formosa, com 19 mil toneladas.
