Conforme o presidente da Câmara Municipal de São José do Norte, Cleonir Bittencourt, os produtores estão recebendo de R$ 0,12 a R$ 0,15 pelo quilo da cebola. Alguns produtores disseram que houve vendas por R$ 0,11. O baixo preço se deve ao fato de o mercado estar abastecido, pois nesta safra houve aumento da área plantada e de produtividade em todo o Brasil. Segundo Bittencourt, em Santa Catarina está sendo pago pelo quilo do bulbo R$ 0,30. Já em São josé do Norte, que fica mais distante do mercado do centro do País, o valor cai mais.
O produtor Cláudio Luiz da Silva Teixeira, 52 anos, da localidade de Capão do Meio, interior nortense, que participou da manifestação, disse que os cebolicultores do Município estão vivendo uma situação muito dificil. "Se nenhuma medida for adotada, o pequeno cebolicultor vai passar fome", destacou. Presidente do Grupo Comunitário de Capão do Meio, Teixeira observou ser necessária a prorrogação do prazo de pagamento dos financiamentos bancários dos cebolicultores por cinco anos, e com carência, para que eles possam pagá-los.
Teixeira entende que também é preciso outro tipo de medida, como a absorção da produção pela Conab. "A gente gasta R$ 0,25 para produzir um quilo de cebola e depois vende de R$ 0,11 a R$ 0,15. Além disso, a estiagem matou as culturas de milho, feijão, batata e abóbora, entre outras", relatou, questionando como o agricultor vai sobreviver.
O produtor Silvestre Amorim dos Santos, 59, da localidade de Retovado, situada a 20 quilômetros da área urbana de São José do Norte, também participante do protesto, contou que começou a plantar cebola cedo, junto com seu pai, e há mais de 30 anos usa o Banco do Brasil para financiar o plantio. E garante que nunca viu uma crise como essa. "Plantei 3,5 hectares ao custo de R$ 21 mil. Recebi R$ 9 mil pela produção desta safra. Agora não tenho como pagar o financiamento do Pronaf, que vence em abril", afirmou.
Financiamento
O movimento também objetivou sensibilizar as autoridades quanto à necessidade de prorrogação do prazo para pagamento dos financiamentos feitos pelos cebolicultores no Banco do Brasil e Banrisul. O presidente da Câmara Municipal informou que está agendada uma audiência em Brasília com os senadores Ana Amélia Lemos e Paulo Paim, para buscar apoio deles para a prorrogação do Pronaf. "Queremos anistia ou cinco anos de carência e pagamento parcelado. Também já conversamos com a Secretaria da Agricultura do Estado, que ficou de encaminhar nosso pedido ao Ministério da Agricultura", explicou.
"O movimento sindical Grito da Terra Brasil fará um grande protesto em Brasília, em março, com a finalidade de pedir o perdão das dívidas dos agricultores", adiantou o secretário do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, Vitor Hugo Amorim. O secretário da Agricultura de São José do Norte, Umberto Pinheiro, ressaltou que o mercado cebolicultor do País vem sofrendo com o baixo preço.
"Aqui na cidade, em 2006 o quilo do bulbo arrancou a R$ 0,03 e terminou em R$ 0,10. Era uma safra similar a esta. O agricultor foi muito prejudicado. Depois começou a se recuperar. Na safra passada, o preço era bom, mas a qualidade da nossa cebola era ruim devido às chuvas. O agricultor ficou descapitalizado novamente. Agora, temos grande volume, com qualidade, mas preço baixo. A situação do agricultor está muito complicada, pois ele vem acumulando prejuízo e não há regulação do mercado", avaliou. Em São José do Norte foram plantados 2,2 mil hectares para esta safra.
No seu entender, o Governo também tem que ajudar a regular o mercado e criar uma solução para que o agricultor, que está recebendo 40% abaixo do que devia, não seja prejudicado. "Só prorrogar as dívidas não vai resolver. Desde agosto de 2010, em todas as regiões produtoras, a cebola está sendo comercializada abaixo do custo de produção, que em São José do Norte é de R$ 0,25 por quilo", concluiu.
