O preço do leite captado em outubro e pago aos produtores em novembro teve queda de 5,3% (ou de R$ 0,15 por litro) em relação ao mês anterior, chegando a R$ 2,6967 o litro na chamada Média Brasil líquida do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, responsável pelo levantamento. Esse foi o terceiro recuo mensal consecutivo do preço, e o resultado é atribuído à demanda fraca e ao aumento da oferta. Na comparação com o décimo mês de 2021, porém, o indicador mostrou alta real de 17%, com base em valores deflacionados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro deste ano.
De acordo com o Cepea, a oferta de leite cru aumentou no Sudeste e Centro-Oeste, já que as chuvas sazonais elevam a disponibilidade de pastagens, reduzindo os gastos com alimentação animal e favorecendo a produção. Ao mesmo tempo, o consumo de lácteos na ponta final da cadeia continuou retraído no país, o que aumentou a pressão dos canais de distribuição por preços mais baixos nas negociações com os laticínios. “Para assegurar as vendas, as cotações recuaram, e a desvalorização dos derivados foi repassada ao preço do leite pago ao produtor”, informou o centro de estudos, em nota.
No Rio Grande do Sul, essa situação na ponta do consumo dificulta a rentabilidade dos produtores, segundo o coordenador do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite (Conseleite), Eugênio Zanetti, também vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS). “A inflação comeu o salário mínimo. O baixo poder de compra das famílias impacta diretamente (o preço do leite pago ao produtor)”, afirma. Em outubro, o IPCA subiu 0,59%, após três meses de deflação – no ano, a alta acumulada é de 4,7%.
No caso do leite longa vida, o produto já havia recuado 13,71% em setembro e ficou 6,32% mais barato em outubro. Mas o custo da alimentação, avalia Zanetti, ainda pesa principalmente no bolso da população de baixa renda, para as quais o leite é um item de primeira necessidade. Segundo o produtor, uma melhora é esperada com a posse do novo governo federal, em janeiro, e a manutenção do pagamento do Auxílio Brasil. “Mas está longe de ser a solução. Há um conjunto de condições que precisa ser atacado para que a gente possa melhorar o cenário do leite”, observa Zanetti.
Nos três estados do Sul, o Cepea destaca que a captação média caiu 4,3% em outubro, devido ao início da entressafra com o término das pastagens de inverno. A concorrência dos lácteos vindos de países do Mercosul, principalmente da Argentina, também vem elevando a oferta interna e pressionando as cotações na cadeia da cadeia. Com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, o Cepea observa que a importação desses itens somou 172,3 milhões de litros em equivalente leite em outubro, volume 80% superior ao do mesmo mês de 2021.
