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China abre investigação sobre importações de carne bovina

Apuração contempla todos os exportadores da proteína para o país e deverá analisar o período de 2019 até o primeiro semestre de 2024

Em 2024, as exportações brasileiras de carne bovina para o país somaram mais de 1 milhão de toneladas
Em 2024, as exportações brasileiras de carne bovina para o país somaram mais de 1 milhão de toneladas Foto : Valter Campanato / Agência Brasil / CP

Maior importador de carne bovina do Rio Grande do Sul, a China anunciou nesta sexta-feira, 27, abertura de investigação para avaliar aplicação de medidas de salvaguarda sobre importações da proteína. O procedimento determinado pelo Ministério do Comércio chinês deverá examinar operações realizadas desde 2019 até o primeiro semestre de 2024.
A ação abrange todos os exportadores do segmento para o país, mas contempla principalmente Brasil, Argentina e Austrália. O prazo para conclusão da apuração é de oito meses, com possibilidade de prorrogação.

De acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), a iniciativa atende solicitação de entidades de representação da pecuária chinesa, que apontam um aumento considerável dos desembarques de carne bovina importada no período a ser examinado. O anúncio do Ministério do Comércio chinês aponta que, em 2023, as importações foram 65% superiores às de 2019.

Conforme informou a Agência Estado, o preço local da carne manteve uma tendência de queda nos últimos anos. Os analistas culpam o excesso de oferta e a falta de demanda, em um momento em que a segunda maior economia do mundo registra desaceleração.

Segundo o Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão, até novembro de 2024, o embarque de carne gaúcha para o país asiático somou 15,8 mil toneladas, movimentando 70,5 milhões de dólares. O valor representa 29% do faturamento total com a exportação de carne bovina do Rio Grande do Sul (243,4 milhões de dólares).

Nota interministerial

Em nota emitida nesta sexta-feira, o governo federal informou que “não há, em princípio, a adoção de qualquer medida preliminar, permanecendo vigente a tarifa de 12% ‘ad valorem’ que a China aplica sobre as importações de carne bovina”.

A nota é assinada pelos ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e Pecuária, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O texto salienta que a “China é o principal destino das exportações brasileiras de carne bovina, consolidando-se nos últimos anos como o maior parceiro comercial do Brasil em proteínas animais. Em 2024, as exportações brasileiras de carne bovina para o país somaram mais de 1 milhão de toneladas, representando aumento de 12,7% em relação ao mesmo período de 2023”.

A nota ressalta ainda que o Executivo federal, em conjunto com o setor exportador, buscará demonstrar que as exportações brasileiras do produto não causam “qualquer tipo de prejuízo à indústria chinesa, sendo, pelo contrário, importante fator de complementariedade da produção local chinesa”. Por fim, o governo reafirma o compromisso de defender os interesse do agronegócio brasileiro.

Leia aqui a íntegra da nota interministerial.

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