Rural

Chuva alaga pomares e prejudica lavouras no interior do Estado

Emater indica atraso no plantio do trigo e alerta para risco de doenças

Em Bom Princípio, citros de colheita tardia ficaram embaixo d’água
Em Bom Princípio, citros de colheita tardia ficaram embaixo d’água Foto : Vinicius Roratto
As fortes chuvas que atingiram o Estado nos últimos dias já causam danos à produção agropecuária. No Vale do Caí, a colheita de bergamotas está ameaçada. Pomares em Bom Princípio e São Sebastião do Caí contendo variedades do tarde (ponkan e montenegrina), cuja colheita se inicia em agosto, ficaram debaixo d'água. De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Sebastião do Caí, Juliana Dullius Wingert, 15 das 50 famílias que produzem cerca de cem toneladas anuais de citros foram atingidas. No município, prejuízos à vista também para hortigranjeiros e milho-verde. Ilhada no bairro Rio Branco, a agricultora Denise Fritszch viu a água inundar três das 13 estufas onde cultiva pepino. Ela estima prejuízo de R$ 50 mil com a perda das mudas. Em Bom Princípio, muitas lavouras ficaram submersas e a enchente formou correnteza.

Em Boa Vista do Buricá, estrebarias foram invadidas pela enxurrada. Na Linha Pé da Bota, o agricultor Altair Rockembach teve que levar o rebanho de 45 animais para passar a madrugada em um morro. Para não perder a produção, a ordenha que ocorre às 17h foi antecipada para 14h. Em Linha Gaúcha, o piscicultor Ricardo Christ, perdeu 400 peixes com a inundação de dois criatórios. Na tentativa de evitar a fuga, criadores usaram redes nas margens dos açudes.

Dados da Emater acrescentam que as chuvas impediram o adequado manejo do trigo, canola e cevada, além das pastagens. De acordo com o agrônomo Ataides Jacobsen, as águas atrasam a finalização da semeadura do trigo, geram perda de nutrientes, além de umidade prolongada, que favorece doenças fúngicas. No entanto, ressalta, isso não implica em queda de rendimento.

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