As principais justificativas do Estado para fazer a contratação direta foram a falta de tempo para o trâmite da licitação, de cerca de 90 dias, e a busca de uma empresa em condições de apresentar o projeto técnico indicado pela Trensurb, que assessora a Seapa na questão logística de público para a feira. Chiarelli explica que a secretaria fez uma consulta no mercado com três empresas e optou pela que ofereceu o menor preço. Contudo, fontes do próprio governo questionam a transparência deste tipo de procedimento e afirmam que seria possível fazer trabalho semelhante por R$ 300 mil. Chiarelli descarta uma possibilidade mais econômica, garante a lisura do processo e diz que o contrato será enviado para análise da Cage. Para ele, uma licitação não seria garantia de transparência. E cita como exemplo o caso de 2010, quando a empresa que venceu o processo licitatório da bilheteria, entrou na Justiça, alegando frustração de receita. "Com o novo sistema queremos trazer transparência e profissionalização."
O proprietário da Imply Tecnologia Eletrônica, Tironi Ortiz, disse estar convicto de que não há nenhum irregularidade no processo. Assessorada pela Trensurb, a empresa, segundo ele, apresentou a melhor proposta de preço à Seapa com o objetivo de prestar trabalho ao governo do Estado. "Não posso responder pela secretaria. Apresentamos um valor, que foi o menor. Não sei como se deu a verificação de preço", alega. Questionado sobre a falta de comunicado à PGE, Ortiz alegou que o serviço foi formalizado por meio de dois contratos, que não atingiriam o patamar exigido pela PGE. O termo publicado sexta-feira no Diário Oficial indica apenas um contrato (número 6) no valor de R$ 650 mil. Ortiz alega ser impossível realizar o serviço por menos do que o acordado. "Só se alguém for pagar para trabalhar", ressaltou. Conforme o empresário, a Imply chega a cobrar R$ 2 milhões em projetos semelhantes.

Termo de contrato foi publicado no Diário Oficial do Estado. | Foto: Reprodução / CP
