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COP-11 rejeita avanços considerados nocivos à cadeia produtiva do tabaco

Na avaliação da comitiva brasileira, ainda é necessário avançar na transparência e no compartilhamento das informações com todos os atores da atividade

Presença da comitiva brasileira foi considerada importante para considerar as realidades do campo
Presença da comitiva brasileira foi considerada importante para considerar as realidades do campo Foto : Rafale Cunha / Grupo Arauto / Divulgação / CP

A 11ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco, em Genebra, Suíça, encerrou os trabalhos com a rejeição de propostas que poderiam impactar de forma imediata a produção de tabaco no Brasil, entre elas a iniciativa canadense de redução da área plantada.

A avaliação da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco) é de que a presença dos municípios produtores, associada aos parlamentares e representantes de entidades ligadas ao setor, tornou-se essencial para frear encaminhamentos que desconsideravam a realidade do campo.

Mesmo com limitações de acesso a documentos e restrições por parte do governo brasileiro, a participação da comitiva garantiu acompanhamento técnico dos debates e maior clareza sobre os impactos de cada proposta, por meio dos integrantes da delegação brasileira, através do Consulado da Suíça.

Durante a conferência, um dos pontos de atenção foi o debate sobre a proposta de proibição dos filtros plásticos de cigarros. Tal proibição, que coloca em xeque o futuro da cultura do tabaco no Brasil não tem nenhum estudo científico que embase a proposta, ficando apenas a defesa por meio de notas técnicas, refutadas durante a COP-11.

“O diálogo não pode ser substituído por imposições, e a sustentabilidade só se sustenta quando também protege quem vive da agricultura. Representamos 525 municípios produtores e milhares de famílias que esperam uma resposta sobre o futuro do tabaco no Brasil”, ressalta o presidente da Amprotabaco, Gilson Becker.

Embaixada brasileira

Nos primeiros dias da conferência, a comitiva registrou dificuldades de acesso às informações oficiais. A interlocução institucional com a embaixada brasileira permitiu reverter a situação e viabilizou o acesso às notas técnicas, registros de posição e documentos de suporte aos debates.

Para Becker, o episódio demonstra que o setor produtivo ainda necessita avançar no diálogo com o governo federal e ter mais previsibilidade quanto aos rumos das negociações internacionais. “Transparência e clareza são pilares indispensáveis para qualquer avanço nas políticas públicas, especialmente quando envolvem o sustento de milhares de famílias produtoras”, ressalta.

A divulgação da nota informativa da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, instituição que lidera as diretrizes antitabagistas no Brasil, representou um ponto de equilíbrio nas discussões ao esclarecer que o País não propôs nem endossou medidas obrigatórias de redução de área plantada. Também reforçou que qualquer debate deve ocorrer dentro do escopo do Artigo 17 da Convenção-Quadro e mediante alternativas economicamente viáveis para os agricultores.

Para a associação dos municípios, esse posicionamento foi fundamental para evitar desgastes e interpretações distorcidas, além de preservar a segurança jurídica de toda a cadeia produtiva. A entidade entende que os municípios precisam estar permanentemente inseridos no processo de formulação das políticas para que a transição, quando debatida, seja justa, planejada e baseada na realidade das propriedades rurais.

Vigilância

Com o encerramento da COP-11, a entidade reforça que o trabalho não termina em Genebra. A avaliação é de que o setor deve manter vigilância e atuação constante junto ao governo federal e às instâncias internacionais, construindo pontes de diálogo que preservem o papel econômico e social do tabaco nas regiões produtoras.

“A presença dos municípios na conferência demonstrou maturidade institucional e capacidade de articulação, mas evidenciou a necessidade de ampliar os canais de participação e assegurar que as futuras discussões sejam conduzidas com transparência desde a origem dos documentos”, avalia Becker.

Maior força

O legado das discussões da COP-11 mostra ainda que é necessário um movimento de cunho político-institucional, por parte dos prefeitos que representam as comunidades dos municípios produtores. “Nossa atuação junto aos agentes políticos e aos membros do governo federal é o que assegura a possibilidade de discussão, junto às autoridades brasileiras, no que se refere às decisões coletivas que podem impactar de forma negativa no setor”, aponta o presidente Gilson Becker.

Conforme o dirigente, a adesão dos prefeitos dos 525 municípios, tanto na participação ativa junto à Amprotabaco, de forma a amplificar a representatividade do setor. “Precisamos criar um movimento maior de participação dos municípios, para que esta representação junto ao governo federal alcance a sua real dimensão”, ressalta.

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