Mantendo o movimento de alta ocorrido na semana passada, a cotação da saca de soja fechou a segunda-feira a R$ 185,00 no Porto de Rio Grande. Os preços refletem o comportamento do grão na Bolsa de Chicago, com alta consistente nos últimos 10 dias e que ontem bateu recorde, com o bushel valendo 15 dólares e 39 centavos para pagamento em julho. De acordo com a analista de grãos da corretora AgRural, de Curitiba, Alaíde Ziemmer, esta é a maior cotação alcançada pelo bushel desde julho de 2013.
Alaíde explica que a movimentação dos preços da soja no mercado interno vem se mantendo em alta há alguns meses, em patamares ao redor dos R$ 175,00. O que tem ocorrido nos últimos dias, segundo ela, é a alteração do olhar do mercado internacional sobre as condições climáticas dos Estados Unidos, onde a safra recém começa a ser implantada.
O último boletim do Departamento de Agricultura daquele país (USDA), emitido em 19 de abril, aponta que a semeadura chegou a 3% da área prevista para a cultura, de 35,5 milhões de hectares, mas sofre alguns atrasos por causa do frio, que se estende pela primavera.
“O clima, a redução de área, para menos dos 36 milhões de hectares esperados pelo mercado, e o estoque de passagem norte-americano (de 3,3 milhões de toneladas, o segundo menor da história), são os responsáveis pela alta em Chicago”, detalha Alaíde. A especialista afirma que, apesar dos preços aquecidos, a comercialização da safra brasileira – em fase final de colheita – ainda está lenta. “Os negócios estão ocorrendo, mas o produtor segue cauteloso”, completa.
Conforme dados da Emater/RS-Ascar, na última quinta-feira, a colheita da soja atingiu 61% da área plantada no Rio Grande do Sul, sete pontos percentuais acima do índice da semana anterior, mas bem abaixo da média histórica de abril, de 84% da área.
Cotação da soja chega a R$ 185
Preço segue alta de Chicago, que reflete estoque baixo e redução do cultivo nos Estados Unidos
