Rural

Crimes de abigeato caíram 32,5% no Rio Grande do Sul em junho

Operação Agro-Hórus, da Brigada Militar, e trabalho de delegacias especializadas da Polícia Civil contribuíram para reduzir número de casos no Estado

Ao longo do primeiro semestre, foram 1.914 crimes, 17,9% a menos que o total verificado de janeiro a junho do ano passado.
Ao longo do primeiro semestre, foram 1.914 crimes, 17,9% a menos que o total verificado de janeiro a junho do ano passado. Foto : Fernando Dias / Divulgação / CP

A intensificação das ações policiais e o uso de dados da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) nas investigações de abigeato – furto de animais, como bovinos e equinos – vêm contribuindo para reduzir a criminalidade no campo. No mês passado, o Rio Grande do Sul registrou 285 desses delitos, o que reflete uma queda de 32,5% em relação aos casos do mesmo mês de 2022. Foi o menor número de ocorrências desde 2010, de acordo com o governo gaúcho. Ao longo do primeiro semestre, foram 1.914 crimes, 17,9% a menos que o total verificado de janeiro a junho do ano passado.

O governo atribui a queda dos números à Operação Agro-Hórus, da Brigada Militar. Com atuação em 137 municípios, a patrulha rural atua desde 2022 com foco na fronteira com a Argentina e o Uruguai. A partir de estudos, diagnósticos e acesso ao banco de dados da Seapi, o sistema de inteligência do órgão identificou as áreas de risco e coibiu a ação dos criminosos. “Desde então, conseguimos prender 263 foragidos e apreender 85 toneladas de carne sem identificação de procedência. Também recuperamos oito máquinas agrícolas e apreendemos 314 armas”, disse o subcomandante-geral da Brigada Militar, coronel Douglas da Rosa Soares, em comunicado.

Outra frente de trabalho é representada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio das Delegacias de Polícia Especializadas na Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato (Decrabs), que investigam também receptação e furto ou roubo de máquinas agrícolas. Subordinadas ao Departamento de Polícia do Interior (DPI), essas unidades foram inauguradas em 2018 e têm sede nos municípios de Bagé, Alegrete, Camaquã e Cruz Alta, mas operam em todo o Estado. “Os abigeatos envolvem organizações criminosas. Por isso, atuamos também para descapitalizar essas quadrilhas, combatendo a lavagem de dinheiro”, destacou o delegado Anderson Spier, diretor do DPI.

Para a produtora rural Antônia Scalzilli, que coordena a área de segurança no campo da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), a atuação abrangente das delegacias especializadas, que deram continuidade ao projeto da Força-Tarefa contra os Crimes Rurais e Abigeato, foram essenciais no cerco às redes criminosas. “Quando começou a Força-Tarefa, percebeu-se que não eram pequenos furtos aleatórios que impactavam os produtores rurais. São grandes furtos, (envolvendo) grandes volume de animais, de produtos defensivos e químicos, que têm um (alto) valor agregado. Quando se percebeu esse perfil de crime e se passou a combatê-lo, foi o sucesso que a gente vem comemorando”, observa.

Segundo Antônia, o setor espera encerrar este ano com uma redução de 60% nas ocorrências em comparação com os números de 2018. Outro passo importante, informa a pecuarista, será o lançamento de uma delegacia virtual voltada exclusivamente ao registro de boletins de ocorrência de crimes rurais, nos moldes da Delegacia Online (DOL) da Polícia Civil. Chamado de Agrodol, o serviço está em discussão com as forças de segurança e deverá ser lançado nos próximos meses. “O que a gente espera daqui para a frente é evoluir ainda mais no aparelhamento das polícias, dar cada vez mais condições para que elas tenham meios para fazer as melhores investigações”, destaca Antônia.