As dívidas reparceladas dos agricultores familiares que começam a vencer hoje serão prorrogadas por 60 dias. Essa foi a garantia dada, ontem, em Brasília, pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. A decisão afeta 70 mil famílias no Estado, segundo o coordenador geral da Fetraf-Sul, Celso Ludwig. O total da dívida do RS a vencer em 2011, tanto de custeio como de investimento, é de R$ 800 milhões e remonta o passivo de uma década. O governo federal também propôs a prorrogação do crédito emergencial, no montante de R$ 2 mil por família e tomado na safra 2008/09, com parcelamento em quatro anos e primeira parcela a vencer no fim de outubro. O montante do crédito emergencial chega a R$ 182 milhões e beneficiou 96 mil famílias gaúchas.
No encontro de Carvalho com os representantes dos pequenos agricultores, incluindo da Contag e MST, ficou definido que nos próximos 60 dias um grupo de trabalho formado por governo e lideranças do setor irão buscar soluções para o endividamento.
Os produtores familiares que têm parcelas de dívidas a vencer devem se dirigir ao sindicato local, que disponibilizará modelo de declaração a ser entregue nas instituições financeiras, para efetuar a prorrogação.
O encontro do grupo de trabalho ficou marcado para 20 de julho, quando as entidades devem apresentar a real necessidade dos produtores e o governo disponibilizar mecanismos para resolver o passivo. O principal pedido dos produtores é que seja viabilizado o acesso aos recursos do Plano Safra da Agricultura Familiar, que será lançado amanhã em Francisco Beltrão (PR), com recursos de R$ 16 bilhões.
Os agricultores que se concentraram ontem em Porto Alegre, Erechim, Florianópolis (SC), Chapecó (SC) e Concórdia (SC)retornaram para suas cidades de origem. Na Capital, mais de 500 agricultores da Fetag-RS ocuparam a frente da Superintendência do Ministério do Desenvolvimento Agrário e 200 produtores da Via Campesina e Fetraf-Sul se instalaram no pátio da Receita Federal. Em Florianópolis, produtores ligados ao Movimento dos Sem Terra e dos Atingidos por Barragem ocuparam a superintendência do Incra.
O endividamento de créditos de custeio e investimento no Brasil chega a R$ 30 bilhões. No RS, o montante é de R$ 5 bilhões. Com dívidas vencidas ou por vencer, os produtores não podem tomar crédito. As parcelas em vencimento este ano somam R$ 2,5 bilhões.
Dívidas dos agricultores familiares serão prorrogadas por 60 dias
Em Brasília, 700 agricultores familiares estiveram mobilizados<br />
