Rural

Dia Nacional do Churrasco e do Chimarrão é celebrado no Pampa gaúcho

Rituais de convivência carregam simbolismo e identidade cultural no interior do RS

Região tem um diferencial para a receita, que é feita na parrilla
Região tem um diferencial para a receita, que é feita na parrilla Foto : Freepik / CP

Para celebrar o Dia Nacional do Churrasco e do Chimarrão, nesta sexta-feira (24), o Pampa gaúcho se destaca como um dos territórios onde essa tradição ganha um significado ainda mais profundo. Ali, o churrasco não começa na churrasqueira, começa no campo.

É no bioma Pampa, com sua paisagem de coxilhas e campos naturais, que se forma a base de uma carne reconhecida por sua qualidade singular. A alimentação dos rebanhos criados soltos em campo nativo é resultado de uma biodiversidade rara. São centenas de espécies de gramíneas e leguminosas que compõem uma dieta naturalmente equilibrada ao longo do ano.

O assistente técnico regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul e Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural (Emater/RS-Ascar) de Bagé, Alexandre Primo Alves, destaca que essa diversidade é determinante.

“Temos uma dieta equilibrada, com proteína, energia e sais minerais, resultado da grande variedade de espécies presentes no campo nativo.”

Ele reforça que o manejo ao longo das estações é essencial para manter esse padrão, especialmente diante das variações entre inverno e períodos de estiagem.

Para Atílio Ibargoyen, engenheiro agrônomo e proprietário da Fazenda Paloma, localizada em Santana do Livramento, é justamente essa base natural que define a qualidade da carne. “Nossos animais são criados soltos no campo e com uma alimentação natural, resultando em uma carne que tem sabor, maciez e sanidade excepcionais”. O produtor ressalta que o diferencial aparece de forma clara na churrasqueira. “As carnes do Pampa são totalmente diferenciadas, principalmente pelo sabor marcante e pela coloração das gorduras, resultado das dietas variadas desses ruminantes”, avalia.

Ritual no preparo

Na região da Campanha, fortemente influenciada pelas tradições do Uruguai e da Argentina, o preparo segue um ritual próprio.

“Por aqui, o churrasco é feito na parrilla, com fogo de lenha e uso de salmoura, que ajuda a preservar a suculência da carne”, explica Ibargoyen.

Entre os cortes preferidos, ele destaca o vazio bovino e a paleta ovina, considerados indispensáveis nas mesas da fronteira. Mais do que técnica, o churrasco exige tempo e dedicação.

“O bom fogo é aquele preparado com antecedência, com lenha seca e manejo correto das brasas. Entre acender e servir, são de três a quatro horas de trabalho”, sugere Ibargoyen. Ele também ressalta a importância da paciência, da presença e da prática, três pilares que, na sua opinião, definem um bom assador.

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