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El Niño deverá ser declarado pela NOAA na próxima semana

Não há consenso entre os institutos sobre os volumes de chuva para este trimestre no RS, com exceção da estimativa para agosto, que deverá ser chuvoso

Recomenda-se o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo, como de 7 a a 15 dias
Recomenda-se o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo, como de 7 a a 15 dias Foto : Fernando Dias / Seapi Divulgação / CP

A Metade Sul do Rio Grande do Sul terá, no trimestre junho, julho e agosto, volume de chuvas próximo aos valores da Normal Climatológica (NC), com leve tendência de aumento, enquanto na Metade Norte há 40% a 45% de chance de a precipitação ficar acima da NC.

A previsão é consenso do International Research Institute for Climate Society (IRI), segundo relata a meteorologista Jossana Ceolin Cera, consultora técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), em texto veiculado no site do Irga.

Já o modelo Climate Forecast System (CFSv2), da NOAA, (National Oceanic and Atmospheric Administration, a agência americana para clima, oceanos e atmosfera) prevê precipitações abaixo da Normal Climatológica em praticamente todo o RS em junho; próximo à NC em julho e tendência de ser acima da NC em agosto, acrescenta a especialista.

“Por sua vez, o modelo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê aumento no volume das precipitações, tanto que a anomalia prevista é positiva para os próximos três meses (junho-julho-agosto)”, complementa.

“O El Niño deve ser declarado pela NOAA na próxima atualização, que ocorrerá na segunda semana de junho. A maioria dos modelos analisados indica chuva acima da média para o próximo trimestre, principalmente agosto. Ou seja, a qualquer momento haverá a virada de chave, com o aumento gradual na frequência das precipitações e volumes acumulados”, ressalta Jossana.

Inmet: precipitação pluvial em milímetros e anomalia de precipitação (em mm) previstas para junho, julho e agosto no Rio Grande do Sul | Foto: Inmet / Divulgação / CP

Conforme ela, maio teve vários dias de tempo seco, que deveriam ter sido aproveitados para o preparo antecipado das áreas para a próxima safra agrícola, visto que parte do inverno deverá ser mais chuvoso. “Lembrando que a semeadura feita na época recomendada é o primeiro passo para se obter altas produtividades”, adverte.

“Com relação à escolha das áreas para a safra 2026/27, deve-se evitar, na medida do possível, aquelas que são suscetíveis à enchente, devido ao grande risco, principalmente se a ideia seria utilizar soja ou outra cultura de sequeiro”, sugere.

Atenção à previsão

Jossana lembra ainda que se recomenda o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo (sete a 15 dias) como estratégia para aumentar a eficiência na execução das atividades agrícolas e apoiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, assim como da previsão climática, para saber como o Oceano Pacífico irá se comportar e impactar nas chuvas do Rio Grande do Sul nos próximos meses.

A meteorologista descreve que abril foi de pouca chuva em boa parte da Metade Sul, e a maioria das regiões teve acumulados abaixo dos 120 milímetros (mm). A exceção foi o Noroeste e parte da Fronteira Oeste (região de São Borja), onde os acumulados foram superiores aos 160 mm. E as anomalias de precipitação foram negativas em quase toda a Metade Sul.

"Houve certa frequência nas precipitações, porém em baixos volumes acumulados. Já as temperaturas do ar estiveram altas no início do mês, ao redor dos 30°C, e abril terminou com clima de inverno, com mínimas na casa dos 4°C. Mas, a média mensal da temperatura ficou com anomalia positiva, segundo dados do Inmet”, avalia.

Segundo a atualização da NOAA, de 14 de maio, o sistema acoplado oceano-atmosfera, no Oceano Pacífico Equatorial, refletiu as condições Neutras do ENOS (El Niño – Oscilação Sul), mas já destacando a tendência em direção ao El Niño.

“Analisando o mapa da anomalia da temperatura da superfície do mar, nota-se o avanço das águas mais quentes em direção ao Oceano Pacífico Equatorial, sobretudo sobre a região do Niño 3.4. No boletim mensal divulgado pela NOAA, a anomalia mensal na região do Niño 3.4 foi de +0,5°C em abril (e este valor é baseado no ONI, pois pela metodologia antiga já são seis semanas em que a região está em limiar de El Niño. Pela metodologia nova – RONI – se está a apenas duas semanas em limiar de El Niño).”

82% de probabilidade

“A NOAA prevê que o El Niño vai se estabelecer no trimestre maio-junho-julho, com 82% de probabilidade. E o fenômeno deverá chegar à sua intensidade máxima entre os meses de novembro e janeiro/2027, sendo que há 30% de chance de ser forte (anomalia entre +1,5 e +1,9°C) e 37% de ser muito forte (anomalia superior a +2,0°C)”, descreve Jossana.

Conforme ela, o bolsão de águas subsuperficiais, com anomalias positivas de temperatura, segue ativo, e em intensificação, ao longo dos últimos meses na região equatorial. Há áreas com anomalias acima dos 6°C, ou seja, essas águas vão aflorar em superfície nas próximas semanas, dando sustentação e intensidade ao aquecimento e, na sequência, ao El Niño.

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