A Metade Sul do Rio Grande do Sul terá, no trimestre junho, julho e agosto, volume de chuvas próximo aos valores da Normal Climatológica (NC), com leve tendência de aumento, enquanto na Metade Norte há 40% a 45% de chance de a precipitação ficar acima da NC.
A previsão é consenso do International Research Institute for Climate Society (IRI), segundo relata a meteorologista Jossana Ceolin Cera, consultora técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), em texto veiculado no site do Irga.
Já o modelo Climate Forecast System (CFSv2), da NOAA, (National Oceanic and Atmospheric Administration, a agência americana para clima, oceanos e atmosfera) prevê precipitações abaixo da Normal Climatológica em praticamente todo o RS em junho; próximo à NC em julho e tendência de ser acima da NC em agosto, acrescenta a especialista.
“Por sua vez, o modelo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê aumento no volume das precipitações, tanto que a anomalia prevista é positiva para os próximos três meses (junho-julho-agosto)”, complementa.
“O El Niño deve ser declarado pela NOAA na próxima atualização, que ocorrerá na segunda semana de junho. A maioria dos modelos analisados indica chuva acima da média para o próximo trimestre, principalmente agosto. Ou seja, a qualquer momento haverá a virada de chave, com o aumento gradual na frequência das precipitações e volumes acumulados”, ressalta Jossana.
Conforme ela, maio teve vários dias de tempo seco, que deveriam ter sido aproveitados para o preparo antecipado das áreas para a próxima safra agrícola, visto que parte do inverno deverá ser mais chuvoso. “Lembrando que a semeadura feita na época recomendada é o primeiro passo para se obter altas produtividades”, adverte.
“Com relação à escolha das áreas para a safra 2026/27, deve-se evitar, na medida do possível, aquelas que são suscetíveis à enchente, devido ao grande risco, principalmente se a ideia seria utilizar soja ou outra cultura de sequeiro”, sugere.
Atenção à previsão
Jossana lembra ainda que se recomenda o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo (sete a 15 dias) como estratégia para aumentar a eficiência na execução das atividades agrícolas e apoiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, assim como da previsão climática, para saber como o Oceano Pacífico irá se comportar e impactar nas chuvas do Rio Grande do Sul nos próximos meses.
A meteorologista descreve que abril foi de pouca chuva em boa parte da Metade Sul, e a maioria das regiões teve acumulados abaixo dos 120 milímetros (mm). A exceção foi o Noroeste e parte da Fronteira Oeste (região de São Borja), onde os acumulados foram superiores aos 160 mm. E as anomalias de precipitação foram negativas em quase toda a Metade Sul.
"Houve certa frequência nas precipitações, porém em baixos volumes acumulados. Já as temperaturas do ar estiveram altas no início do mês, ao redor dos 30°C, e abril terminou com clima de inverno, com mínimas na casa dos 4°C. Mas, a média mensal da temperatura ficou com anomalia positiva, segundo dados do Inmet”, avalia.
Segundo a atualização da NOAA, de 14 de maio, o sistema acoplado oceano-atmosfera, no Oceano Pacífico Equatorial, refletiu as condições Neutras do ENOS (El Niño – Oscilação Sul), mas já destacando a tendência em direção ao El Niño.
“Analisando o mapa da anomalia da temperatura da superfície do mar, nota-se o avanço das águas mais quentes em direção ao Oceano Pacífico Equatorial, sobretudo sobre a região do Niño 3.4. No boletim mensal divulgado pela NOAA, a anomalia mensal na região do Niño 3.4 foi de +0,5°C em abril (e este valor é baseado no ONI, pois pela metodologia antiga já são seis semanas em que a região está em limiar de El Niño. Pela metodologia nova – RONI – se está a apenas duas semanas em limiar de El Niño).”
82% de probabilidade
“A NOAA prevê que o El Niño vai se estabelecer no trimestre maio-junho-julho, com 82% de probabilidade. E o fenômeno deverá chegar à sua intensidade máxima entre os meses de novembro e janeiro/2027, sendo que há 30% de chance de ser forte (anomalia entre +1,5 e +1,9°C) e 37% de ser muito forte (anomalia superior a +2,0°C)”, descreve Jossana.
Conforme ela, o bolsão de águas subsuperficiais, com anomalias positivas de temperatura, segue ativo, e em intensificação, ao longo dos últimos meses na região equatorial. Há áreas com anomalias acima dos 6°C, ou seja, essas águas vão aflorar em superfície nas próximas semanas, dando sustentação e intensidade ao aquecimento e, na sequência, ao El Niño.
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