O anúncio comunicado ao Ministério da Agricultura é de que o bloqueio deve começar em 15 de junho. As restrições vão atingir plantas do Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul. Do total, 27 são gaúchas segundo o diretor técnico do Mapa/RS, José Severo. O presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, acredita que a medida tenha relação com a negociação diplomática entre os países para a entrada da Rússia na Organização Mundia do Comércio (OMC).
Turra, disse que das 62 plantas habilitadas de frangos, 25 foram desabilitadas pelo comunicado, mas ele não soube precisar quantas estão no Rio Grande do Sul. “É uma decisão precipitada e injustificável. Outras missões estiveram aqui e não levantaram nada contra a carne de frango.”
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro Camargo Neto, diz que existem questões burocráticas entre os países que dependem de entregas de relatórios, atualização de documentos, mas nada que explique um veto tão grande. Segundo ele, com isso somente uma planta de Santa Catarina continua autorizada a exportar carne suína para a Rússia. “Agora a bola está com o governo brasileiro.”
Surpresa, mas nem tão alarmada a coordenadora técnica da Abiec, Gabriela Tonini, disse que 25 plantas de bovinos foram desabilitadas, sendo 16 no Mato Grosso, quatro no Paraná e cinco no Rio Grande do Sul “A maioria das indústrias têm plantas em outros estados e pode realocar a produção para continuar exportando.” A questão, segundo ela, é que apesar do governo já estar buscando reverter a situação atualmente o mercado russo é o maior comprador de carne bovina.
Entre janeiro e abril, foram compradas 99 mil toneladas de carne, 28,2% das 353 mil toneladas exportadas pelo Brasil no período. Em 2010, foram embarcadas 300 mil toneladas de carne bovina para aquele país. Também no ano passado foram embarcadas 215 mil toneladas de carne suína e 121 mil toneladas de carne de frango.
Em maio, uma comitiva brasileira, chefiada pelo vice-presidente Michel Temer esteve na Rússia para tratar das restrições a 29 frigoríficos nacionais e embargo a outros oito, que foram vistoriados em abril. Na ocasião, o serviço veterinário russo requisitou mais informações do governo brasileiro. O ministério informou que foi acordado que o governo brasileiro enviaria mais informações e faria novas auditorias em todas as indústrias de carne bovina, suína e de aves habilitadas a exportar para a Rússia, mas a ampliação do bloqueio veio antes.
