Anunciados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na última quinta-feira, o aumento da oferta de crédito para o plantio do milho na safra 2021/2022 e a liberação de mecanismos de apoio à comercialização do grão foram bem avaliadas pelo presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, e pelo presidente da Associação dos Produtores de Milho do Estado (Apromilho), Ricardo Meneghetti. Apesar disso, os dirigentes entendem que as medidas não solucionam todos os problemas da cadeia produtiva neste ano.
A decisão do CMN aumenta de R$ 3 milhões para R$ 4 milhões (por agricultor) o limite de financiamento de custeio para a produção de milho e sorgo a partir de 1º de julho. Também eleva de R$ 1,5 milhão para R$ 1,75 milhão o limite de custeio para o plantio dos dois cereais pelos médios produtores.
Além disso, o conselho admite o uso do Financiamento para Garantia de Preços ao Produtor (FGPP), com recursos obrigatórios para estocagem de milho e sorgo, limite de crédito de até R$ 65 milhões por beneficiário e prazo de 180 dias para o reembolso. O FGPP é uma linha de crédito que permite às agroindústrias adquirir dos produtores grãos por valor acima do preço mínimo.
Para Ricardo Santin, presidente da entidade que representa as cadeias da avicultura e da suinocultura no Brasil, as medidas são uma importante ação estruturante para o próximo ano, melhorando os níveis de produção de milho e evitando o panorama de escassez que se vê neste ano e os preços especulativos. O presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, concorda que as decisões são benéficas, mas reclama que, até o momento, o governo não fez nada para socorrer a indústria produtora de proteína animal, que sofre com o preço do milho.
O líder dos produtores, Ricardo Meneghetti, afirma que o aumento de limite de custeio vinha sendo pedido há anos. Segundo o dirigente, R$ 1,5 milhão de limite é muito pouco, se for considerado que somente a implantação de um único pivô de irrigação em uma lavoura de 100 hectares ultrapassa os R$ 600 mil.
Entidades avaliam medidas do CMN para o milho como boas, mas insuficientes
Setores ligados à produção gostariam que aumento do crédito fosse maior e que houvesse ações para reduzir a escassez do momento
