Rural

Entidades do campo cobram reestruturação do sistema ambiental

Operação da PF desarticulou rede de corrupção para liberação de licenças

Dezoito pessoas foram presas na ofensiva da Polícia Federal
Dezoito pessoas foram presas na ofensiva da Polícia Federal Foto : Vinícius Roratto
Representantes das duas principais entidades de agricultores no Rio Grande do Sul reagiram com indignação à informação da existência de fraudes na obtenção e na expedição de licenças ambientais junto aos órgãos do Estado. A ofensiva deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira culminou na prisão de servidores públicos, consultores ambientais e empresários, além de secretários da área – já  afastados dos cargos – por suposto envolvimento na rede de corrupção.

Conforme a PF, algumas liberações chegavam a sair no prazo de uma tarde, já o setor rural tem enfrentado duras exigências, burocracia e lentidão na emissão de licenças ambientais. De acordo com dados deste mês, metade do estoque de 12 mil licenças a serem liberadas estão no campo, onde a espera pode variar de seis meses até dois anos.

Segundo o assessor de Meio Ambiente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Alexandre Scheifler, sempre foi evidente o descompasso da velocidade de licenciamento de empreendimentos da construção civil, por exemplo, enquanto o setor agrícola enfrenta uma via-crúcis até para conseguir uma simples autorização de corte de vegetação ou instalação de uma pocilga. “Está na hora de moralizar o processo e tratar a secretaria de Meio Ambiente como ela merece”, enfatizou.  

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) argumenta falta de pessoal para análise e vistoria na propriedade. Scheifler critica o sistema ambiental vigente, sem interligação entre departamentos da Fundação Estadual de Proteção Ambienta (Fepam) e Sema, o que provoca ainda mais morosidade no processo. De acordo com o diretor do Departamento de Recursos Hídricos da Sema, Marco Mendonça, a criação do Sistema Integrado de Regularização, em andamento, irá centralizar os processos. A empreitada tem garantidos 9 milhões de dólares do Banco Mundial.

Integrante da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) no Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), Ivo Lessa, criticou o enfraquecimento do colegiado que reúne governo, entidades públicas e privadas, além de organizações não governamentais, em sua opinião “jogado para escanteio” no governo Tarso.

Com reuniões mensais e palco de importantes decisões no passado recente, o Consema, que se reunia mensalmente, chegou a cancelar encontros em 2012 por falta de pauta. “Está acontecendo um verdadeiro desleixo com o conselho, que nos deixa bastante preocupado, porque fica uma imagem de que não se tem mais o que discutir com a sociedade, esperamos que os fatos de hoje mudem isso,” projetou.




Bookmark and Share