Rural

Ex-ministro uruguaio alerta sobre não vacinação contra aftosa no Brasil

Fernando Mattos considera que país está “assumindo um risco enorme” ao abrir mão da imunização de seu rebanho

Mattos lembrou contexto vivido pelo Uruguai e Rio Grande do Sul no início dos anos 2000, para exemplificar o que considera uma ameaça sanitária
Mattos lembrou contexto vivido pelo Uruguai e Rio Grande do Sul no início dos anos 2000, para exemplificar o que considera uma ameaça sanitária Foto : Titi Kroeff / Nespro / CP

Ex-ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, engenheiro agrônomo e pecuarista, Fernando Mattos lançou um alerta, nesta terça-feira, 17, na 20ª Jornada Nespro, sobre um dos orgulhos da agropecuária brasileira, a condição de país livre de febre aftosa sem vacinação.

Para Mattos, “o Brasil está assumindo um risco enorme” ao manter seus rebanhos sem aplicar a imunização.

A manifestação ocorreu durante a palestra “Uma visão de futuro para a produção de carne bovina”, que abriu a programação da tarde no evento promovido pelo Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Nespro/UFRGS) e pelo Instituto Desenvolve Pecuária, no Barra Shopping Sul, em Porto Alegre. O encontro tem encerramento previsto para esta quarta-feira, 18.

Ao responder um questionamento sobre o tema da febre aftosa, Mattos salientou que já não ocupa cargo público de alto escalão, o que o deixa à vontade para comentar sobre outros países e lembrou o contexto vivido por Uruguai e Brasil no início dos anos 2000.

“O Uruguai viveu uma enorme crise em 2001, com mais de dois mil focos de aftosa. No Rio Grande do Sul, havia poucos focos”, descreveu Mattos.

Na época, de acordo com o ex-ministro, seu país natal não vacinava os animais, enquanto o RS aplicava a precaução.

“O episódio pegou o Uruguai sem vacinar havia oito anos. Um ano depois da aftosa, tivemos a pior crise financeira que o país viveu em sua história”, disse o ex-ministro.

Ele destacou que, atualmente, o cenário é o oposto. Argentina e Uruguai utilizam a vacinação para se manter sem a doença, enquanto o Brasil abriu mão do recurso.

Mattos considera que o Brasil enfrenta ameaças eventualmente proveniente de vizinhos como Colômbia e Venezuela, nações nas quais “cada vez mais crescem os rumores de focos de aftosa”, e Bolívia, com garantias sanitárias mais precárias. Além disso, Mattos ressaltou a desestruturação do sistema de produção da vacina no território nacional.

“O desafio para o Brasil é construir um controle sanitário eficiente”, afirmou Mattos.

De acordo com o engenheiro (formado pela UFRGS), o status de país livre de aftosa com vacinação tem otimizado o acesso do Uruguai aos mercados.

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