Estreantes na Expointer, raças Ultrablack e Senepol ganham adeptos
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Estreantes na Expointer, raças Ultrablack e Senepol ganham adeptos

Criadores acreditam no sucesso da nova variação de bovinos de corte no RS

Por
Correio do Povo

Expointer de 2019 recebeu a primeira exposição de animais Ultrablack do Brasil

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A 42ª edição da Expointer marcou a estreia de duas novas raças de bovinos de corte. No Brasil há 19 anos, o Senepol – popular no Sudeste do país — participa pela primeira vez com 14 animais. O Ultrablack, raça sintética originária da Austrália, foi trazido a Esteio pela primeira vez com 16 exemplares.

Paulo Roberto Moura, criador experiente com outras raças, possui dez animais Senepol. Ele se diz extremamente satisfeito com o resultado, já que os animais são naturalmente calmos e resistentes a um dos maiores problemas que o gado enfrenta no Rio Grande do Sul: “(Eles possuem) uma pelagem quase zero, o que diminui bastante a incidência de carrapatos”, avalia.

O pecuarista Júlio César Nunes Ortiz, da cabanha JN Senepol, de Cachoeira do Sul, também trouxe exemplares para a Expointer. A criação teve início há dois anos, após o produtor rural pesquisar sobre as características do animal. “A grande dúvida era a adaptação ao frio”, explica.

Os exemplares criados na cabanha foram trazidos do Paraná. A intenção era trabalhar com monta natural em campo nativo. Segundo o criador, o touro da raça tem capacidade para cobrir 50 vacas a campo, com alta fertilidade, sem exigir manejo diferenciado. “Hoje tenho a convicção de que o animal se adapta bem”, observa. Entre as principais características do Senepol, avalia ele, estão a docilidade, a fertilidade e qualidade da carne, com elevado grau de maciez. A rusticidade, por sua vez, permite ao animal maior resistência ao carrapato. 

O nome Senepol deriva da nomenclatura das raças que deram origem, a N Dama, do Senegal, e a Redpoll, da Inglaterra.

Já os 16 animais Ultrablack na Expointer pertencem a criadores de Uruguaiana, da Cia Azul, e Guaíba, da Fazenda Quatro Linhas. Os registros genealógicos da raça sintética originária da Austrália estão sob responsabilidade da Associação Brasileira de Angus, delegada pelo Ministério da Agricultura em 2017.

Segundo o gerente de fomento da associação, Mateus Pivato, a ideia é aproveitar a raça no cruzamento com fêmeas meio-sangue, oriundas do cruzamento Angus x Nelore. Por contar com 81% de sangue Angus, o público leigo pode ter dificuldades em identificar os exemplares de Ultrablack em Esteio. Para os criadores, as principais diferenças são do ponto de vista operacional, ao aliar a qualidade da carne Angus à rusticidade do zebuíno.

A associação tem como meta de médio a longo prazo a criação de um selo de certificação da raça Ultrablack dentro do programa Carne Angus Certificada.