Expointer recebe os primeiros animais para edição de 2019
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Expointer recebe os primeiros animais para edição de 2019

Prazo para admissão vai até o final da noite de sexta-feira

Por
Danton Júnior

Animais da Cabanha Oliveira foram os primeiros a chegar na Expointer

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A ovelha da raça Texel de tatuagem 837, da Cabanha Oliveira, de Uruguaiana, foi o primeiro animal a desembarcar no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira para a 42ª Expointer. O animal chegou à feira com cria ao pé, uma cordeira de três meses. O criatório da Fronteira-Oeste manteve a tradição dos últimos anos, já que pela sexta vez consecutiva foi o primeiro a chegar, junto com outras três cabanhas parceiras que dividiram o mesmo veículo. Devido a um imprevisto - o cano de combustível apresentou vazamento -, a viagem durou 14 horas, o dobro do normal. O contratempo não impediu que o veículo chegasse a Esteio ainda no início da noite de domingo. "Procuramos chegar por primeiro pela ambientação dos animais, para eles não se estressarem muito na descarga e recuperarem o peso", afirma o cabanheiro Cleber Antonio Lopes Martins. 

Até as 23h59min de sexta-feira, um total de 3,9 mil animais de argola deve ingressar no parque para a exposição, que ocorre de 24 de agosto a 1º de setembro. Ao chegar ao parque, cada animal passa por uma revisão sanitária e de documentação. O "pente fino" inclui a identificação de papilomas, carrapatos e a necessidade de exame negativo de doenças específicas de cada espécie, como a brucelose e tuberculose bovina e o mormo, no caso dos equinos. A inspeção envolve 100 profissionais do serviço veterinário oficial. Caso os exames não estejam em dia, o animal fica impedido de ingressar no parque. 

Inspeção envolve mais de 100 profissionais na Expointer / Foto: Guilherme Testa 

A presença de animais de diferentes espécies já nas primeiras horas após a abertura dos portões supreendeu dirigentes de entidades que acompanhavam o evento. O coordenador de Exposições e Feiras da Farsul, Francisco Schardong, disse que este é o prenúncio de um evento de sucesso. Na opinião dele, a possibilidade de que esta seja a última edição da Expointer antes da suspensão da vacinação contra febre aftosa deve atrair compradores do centro do país, já que a mudança no status sanitário inviabilizaria o trânsito de animais a estados que não contam com a mesma condição. Nos últimos três anos, 7 mil reprodutores bovinos foram negociados pelos pecuaristas gaúchos com outras unidades da federação. O presidente da Febrac, Leonardo Lamachia, destacou que a pecuária vive momento positivo nas principais cadeias, com demanda fortalecida tanto na bovinocultura quanto entre ovinos e equinos. 

O criador Ramiro Cerutti, da Cabanha da Divisa, de Cruz Alta, pegou a estrada às 22h desse domingo e chegou a Esteio às 6h de hoje. Entre os 22 ovinos trazidos para a exposição, transportados em dois veículos, estão três grande campeões da Expointer do ano passado, na raças Ile de France e Ile de France Naturalmente Colorido. A expectativa é de novas conquistas na edição deste ano. Este é o primeiro ano que o criador chega à Expointer no primeiro dia de abertura dos portões. O motivo, segundo ele, é a possibilidade de oferecer uma melhor adaptação aos animais, após as oito horas de viagem. Desta forma, ele espera que os ovinos possam recuperar peso e se hidratar de forma adequada antes do início dos julgamentos. 

Os primeiros criadores a ingressar no parque foram recebidos com um café de cambona acompanhado de bolo frito coberto de açúcar, oferecidos pela Prefeitura de São Nicolau. A bebida remonta aos antigos tropeiros, que percorriam a região das Missões.