União entre produtor e tecnologia pautou primeira edição do Debates Correio do Povo Rural
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União entre produtor e tecnologia pautou primeira edição do Debates Correio do Povo Rural

Jornal promove rodada de conversa com especialistas até quinta-feira direto do Parque Assis Brasil

Por
Danton Júnior

Participantes entendem que agropecuarista pode reduzir seus custos se investir para se tornar mais competitivo e, com isso, aumentar suas margens

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A Expointer, que está em sua 42ª edição, consolidou-se como um espaço de apresentação das principais tecnologias que auxiliam a agropecuária gaúcha e brasileira. A cada ano, a área de máquinas do Parque Assis Brasil apresenta as novidades mais recentes em tecnologia embarcada, seja na produção de grãos ou na pecuária.

Neste cenário, o Rio Grande do Sul viu a sua produção de grãos saltar de 11,5 milhões para mais de 30 milhões de toneladas nos últimos 40 anos. Nesta edição da feira, as startups contam com atividades inéditas no parque e marcam presença em grande número.

O desafio de aproximar o produtor rural destas tecnologias pautou a primeira edição do ciclo Debates Correio do Povo Rural desta Expointer, realizado ontem na Casa do CP no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. As próximas edições do debate ocorrem nesta quarta e quinta-feira.

Entre os desafios abordados no debate estiveram em pauta o problema da baixa rentabilidade de algumas culturas agrícolas, a sucessão rural e a conectividade no campo. Segundo o gestor de projetos do Sebrae/RS, João Antônio Pinheiro Neto, as startups cada vez mais têm desenvolvido métodos para conseguir contornar estas barreiras e ajudar os produtores a resolver seus principais problemas.

“Hoje o principal diferencial que as startups entregam para os produtores é o maior número de informações para a tomada de decisão, fazendo com que eles tomem decisões mais assertivas e até evitem desperdícios”, observou. Mesmo com o custo da contratação de uma startup, Neto afirmou que o produtor acaba tendo como resultado a redução das despesas na propriedade. “Ele consegue até ser mais competitivo aumentando suas margens”, destacou.

Renan Hein dos Santos, analista de Inovação e Relações Internacionais do Sistema Farsul, observou que em muitos casos há resistência de produtores ao surgimento de marcas novas no mercado, que cita como um dos fatores que desafiam a adoção de novas tecnologias no meio rural. Por outro lado, citou que as startups têm se empenhado em desenvolver soluções para problemas reais enfrentados pelos produtores. Estas ferramentas podem ser úteis, segundo ele, para melhorar a gestão da propriedade e enxergar, por exemplo, onde o produtor está tendo prejuízo.

Um exemplo, exposto no estande do programa Juntos para Competir, é uma câmera acoplada ao bico do pulverizador, que permite evitar desperdício na aplicação de químicos. “O céu é o limite na questão da inovação na agricultura. Temos muitos gargalos e muitas coisas em que o produtor não sente que está perdendo dinheiro”, resumiu.

No caso da produção de leite, uma das ferramentas que tem ganhado espaço nos últimos cinco anos é a ordenha robotizada. Segundo o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), Darlan Palharini, mais de 50 robôs devem estar em funcionamento no Estado até o final deste ano. Ao mesmo tempo em que vislumbra-se um aumento significativo da produção e da qualidade de vida para estes produtores, admite-se que talvez outros, em contrapartida, podem ter de abandonar a atividade.

A vinda dos robôs, conforme Palharini, vai servir para mostrar ao produtor que ele pode pagar o investimento se tiver gado de qualidade e fizer uma gestão eficiente. Conforme Palharini, uma das formas que o segmento tem buscado para promover o uso de tecnologia na atividade é por meio de eventos promovidos no interior do Estado, com parcerias entre a Emater, a Fetag e universidades.

Presente na Expointer há mais de 20 anos, o gestor de produto e marketing da LS Tractor, Astor Kilpp, lembrou que no início da década de 1990 os tratores com cabine eram a novidade da exposição. Hoje, a telemetria e o monitoramento dos equipamentos em funcionamento tem trazido um acompanhamento diário, com informações de o quanto eles têm sido eficientes ou não. “Isso significa uma nova realidade em gestão da maquinização. Você tem um maior controle sobre o tráfego da máquina”, afirmou Kilpp. Essa gestão inclui, por exemplo, uma maior eficiência na aplicação de químicos e no uso de combustível, hoje um dos itens de maior importância na planilha de custos do produtor rural. Ao mesmo tempo, segundo Kilpp, ainda há uma grande quantidade de máquinas com mais de 20 anos de uso no campo.

Ouça a íntegra do debate: