Fávaro admite fragilidades em leilão, mas mantém compras públicas de arroz

Fávaro admite fragilidades em leilão, mas mantém compras públicas de arroz

Novo edital é elaborado com a CGU e a Polícia Federal, que também investigam suspeitas de irregularidades que envolvem o ex-secretário de Política Agrícola do Mapa, Neri Geller

Thaise Teixeira

Fávaro admitiu fragilidades na realização do leilão de arroz importado

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O Ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, admitiu, nesta quarta-feira, que o edital do leilão de arroz realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 6 de junho imputava somente às bolsas de mercadorias e cereais a responsabilidade em garantir a capacidade operacional e financeira das importadoras.

“O governo não pode dar essa prerrogativa para as bolsas de mercadorias. Por isso, estamos construindo um novo edital. Haverá melhorias, que estão sendo construídas em conjunto com a CGU (Controladoria Geral da União) e da Polícia Federal”, anunciou o ministro, em audiência da Comissão da Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPDR) da Câmara dos Deputados.

Na oitiva que durou mais de quatro horas, Fávaro disse também estranhar a participação de importadoras com atividades de natureza não condizente com o produto ofertado no pregão, bem como a ausência de interesse de empresas brasileiras. O leilão comercializou 263 mil toneladas da oferta de 300 mil toneladas do grão.

“Depois (do leilão) que vimos as empresas (participantes). Algumas não têm aparentemente o perfil necessário mesmo, mas há, pelo menos, duas com muita capacidade e expertise, inclusive uma sorveteria, que importa e exporta polpa de frutas”, pontuou Fávaro.

Quanto à obrigatoriedade de os importadores entregarem o cereal em pacotes com identificação do governo federal, Fávaro reconheceu a legalidade e a necessidade de aplicação somente da logomarca da Conab. Já a aplicação das marcas do Mapa, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do governo federal, determinadas no edital, foi tratada como “uma proposta que não se faz necessária”.

Suspeitas de irregularidades envolvendo Neri Geller são investigadas

Fávaro comentou que as suspeitas de irregularidades administrativas na condução do primeiro leilão de arroz importado realizado após as enchentes no RS estão em investigação pela Polícia Federal e pela CGU. As inconsistências foram o estopim para a anulação do pregão e subsequente reformulação no edital das referidas compras públicas.

"Se anulou o processo porque faz parte e é um ato da gestão combater qualquer tipo de conflito de interesse”, destacou o ministro, referindo-se ao ex-secretário de Política Agrícola do Mapa, Neri Geller, exonerado do cargo em 11 de junho.

Geller pediu demissão após sua ligação com o presidente da Bolsa de Mercadorias de Mato Grosso (BMT), Robson Almeida de França, vir a público. Além de assessorar o ex-secretário na Câmara dos Deputados, o empresário é sócio proprietário da Foco Corretora de Grãos, principal corretora do leilão de arroz de 6 de junho. França também é sócio do filho de Geller, Marcello Geller, em outro negócio.

"Eu conheço o Neri há mais tempo que todos vocês. Eu e ele chegamos ao mesmo tempo no Mato Grosso, há 40 anos, com os mesmos objetivos de crescer. A exoneração de Geller não é juízo de valor. Pedi que ele saísse porque precisamos de total liberdade para investigar. Ele pediu então demissão e foi exonerado”, explicou Fávaro, ao dizer que não tinha conhecimento da indicação da esposa de Geller para cargo público na Conab.


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