Rural

Feijão tem preço garantido

Cultura foi incluída entre aquelas beneficiadas com compensação pela Conab quando o valor ficar abaixo da cotação mínima estabelecida

As cidades gaúchas de Erechim e Entre Rios do Sul, conforme apuração de preços da Emater/RS-Ascar, apresentam os menores valores para a saca de 60 quilos, R$ 150 e R$ 160, respectivamente
As cidades gaúchas de Erechim e Entre Rios do Sul, conforme apuração de preços da Emater/RS-Ascar, apresentam os menores valores para a saca de 60 quilos, R$ 150 e R$ 160, respectivamente Foto : Wenderson Araujo / Trilux / CNA / Especial / CP

Produtores de feijão no Rio Grande do Sul estão entre os beneficiados pelo Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A leguminosa foi incluída na lista de produtos com bônus de desconto em fevereiro, assegurando compensação quando o valor de venda ficar abaixo do mínimo estabelecido, de R$ 181,23. O bônus é de 1,91%.

A medida, definida pela portaria nº 310, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), foi publicada no dia 10 de fevereiro no Diário Oficial da União. Para o Rio Grande do Sul, neste mês, também foi incluída caução para as culturas de batata, cebola, mel de abelha e trigo. No Estado, de acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado no dia 13 de fevereiro, o valor médio da saca de 60 quilos de feijão é de R$ 224,38, um aumento de 0,84% em relação à semana anterior (R$ 222,50).

Atualmente, as cidades de Erechim e Entre Rios do Sul, conforme apuração de preços da Emater/RS-Ascar, apresentam os menores valores para a saca de 60 quilos, R$ 150 e R$ 160, respectivamente. Os municípios de Ipê e Nova Palma têm os preços mais elevados, R$ 300 e R$ 200.

Para ter acesso ao bônus do PGPAF, o agricultor familiar precisa estar cadastrado no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e comprovar que o preço de venda do produto é inferior ao preço de garantia. No Rio Grande do Sul, há duas safras de feijão por ano. O plantio da primeira tem início em setembro, com a colheita começando em dezembro.

“O safrinha, que foi plantado em janeiro e tem outro recorte de área, está em dificuldades”, diz Alencar Rugeri, engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar. As dificuldades ocorrem em razão da estiagem que assola o Estado desde meados de dezembro.

Rugeri destaca, no entanto, que a cultura, em estágio vegetativo, encontra-se em situação um pouco melhor quando comparada com o cenário da soja. A área de plantio para o feijão, no ciclo 2024/2025, é de 18.863 hectares, 15,19% menor do que os 22.242 hectares da safrinha do ciclo anterior.
A exemplo das dificuldades enfrentadas nas culturas do arroz e da soja, os produtores de feijão da Região Centro do Estado são os mais afetados pela estiagem. De acordo com Luis Fernando Oliveira, engenheiro agrônomo e assistente técnico do escritório regional da Emater em Santa Maria, o plantio previsto naquele território é de 811 hectares, mas a condição climática atrasa a semeadura, que atinge, no momento, 80% da área. Desse total, 92% se encontra em estado de emergência.

Oliveira afirma que os prejuízos são generalizados entre os agricultores da região, independente do tipo de cultivo.

“Nós temos municípios que estão sem chuva há 45 ou 50 dias. Nessas condições, culturas estão perdidas”, afirma o engenheiro agrônomo.

O gerente escritório da Emater em Frederico Westphalen, na Região Noroeste do Estado, Cleomar Antônio de Bona, também relata perdas na lavoura do feijão. A área de plantio da leguminosa para a safrinha é de 6 mil hectares. Segundo Bona, a redução da colheita está estimada em 20%.

“Não é mais uma atividade muito atrativa na região, que já cultivou muito, mas de forma não tão mecanizada”, diz o gerente.

Veja Também