Rural

Flexibilização no licenciamento gera polêmica

Retirada de exigências será discutida em audiência pública pelo Senado

PL 3.729 foi aprovado no dia 13 de maio pela Câmara dos Deputados
PL 3.729 foi aprovado no dia 13 de maio pela Câmara dos Deputados Foto : Alina Souza / CP Memória

Tido como de alta complexidade, o Projeto de Lei 3.729/2004, de autoria do deputado Neri Geller (MT), aprovado no dia 13 de maio pela Câmara, não deve transitar facilmente no Senado, prevê o vice-presidente da casa, Veneziano Vital do Rêgo (PB). O parlamentar observa que o PL que simplifica os licenciamentos ambientais para obras, rodovias, mineração e atividades agropecuárias é um assunto delicado. Por isso, promete convocar para as próximas semanas uma audiência pública para discussão da proposta. 

O PL dispensa o produtor rural de alguns licenciamentos se a propriedade estiver regularizada no Cadastro Ambiental Rural (CAR) ou se tiver firmado termo de compromisso para recompor a vegetação suprimida ilegalmente. Incluem-se nesta situação cultivo de espécies de interesse agrícola, temporárias, semiperenes e perenes; algumas modalidades de pecuária; e pesquisa agropecuária que não implique risco biológico. A proposta também flexibiliza as licenças para obras estruturais (que deixam de precisar de autorização), mineração de alto risco e duplicação de rodovias. 

Para o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Francisco Milanez, o projeto é “perverso, inconstitucional e vergonhoso” e vai dificultar a vida dos agricultores no futuro, uma vez que o licenciamento correto, além de ser um processo de aprendizado ambiental, garante a presença dos produtos em múltiplos mercados.

A Farsul entende que o PL pouco altera o sistema de licenciamento da agropecuária, mas melhora a tramitação de licenças para a área de infraestrutura, o que impulsiona o desenvolvimento global, relata Domingos Velho Lopes, presidente da Comissão de Meio Ambiente da entidade. A Fetag ainda estuda o projeto para se posicionar.