O governo francês prometeu um decreto para suspender a importação de frutas e legumes que contenham resíduos de cinco fungicidas e herbicidas proibidos na Europa. Essa medida afetaria abacates, mangas, goiabas, cítricos, uvas-passas, maçãs, melões, cerejas, morangos e batatas da América do Sul e de outros lugares, segundo a França.
A medida precisa da autorização de Bruxelas em um prazo de dez dias, indicou a Comissão Europeia. O Executivo europeu já trabalha para que “os pesticidas mais perigosos, proibidos na União Europeia por razões de saúde e meio ambiente, não sejam reintroduzidos” através de produtos importados, destacou a porta-voz Eva Hrncirova.
O setor agrícola francês está abalado por várias crises: a dermatose nodular contagiosa (DNC), que afeta os bovinos; os baixos preços do trigo e o alto custo dos fertilizantes, que atingem os produtores de cereais; e a ameaça da crescente concorrência dos países do Mercosul, a partir do acordo com a União Europeia. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, receberá hoje, em Paris, os sindicatos de agricultores para tentar desativar as tensões.
O acordo entre os blocos ajudará a União Europeia facilitaria a entrada de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos na Europa. Isso alarmou muitos produtores europeus que temem ser afetados pelo fluxo de produtos baratos procedentes do Brasil e de seus vizinhos. Itália e França pediram a inclusão de mais cláusulas de salvaguarda, controles rigorosos e normas mais severas para os produtores do Mercosul.