Os produtores estavam preocupados com a demora na liberação pelo governo chinês, porque uma possível "contaminação" das cargas com o novo transgênico poderia criar problemas comerciais com o país asiático, que responde por 70% da soja exportada pelo Brasil. O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Glauber Silveira, lembra que no ano passado, em função da não liberação pela China, a Monsanto teve que descartar 500 mil sacas de sementes de soja que estavam prontas para serem comercializadas. As estimativas de mercado são de que a empresa tenha de 2 a 3 milhões de sacas de sementes para comercialização na próxima safra.
Silveira comemorou a decisão, que deve reduzir gastos com agrotóxicos para combater as pragas e pode garantir maior produtividade. Ele calcula que já no primeiro ano a área cultivada com soja transgênica de segunda geração (RR2) da Monsanto deve atingir 5% do total a ser semeado a partir de setembro de 2013.
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) destacou que a aprovação é importante para o produtor mato-grossense. "Queríamos adotar a nova tecnologia, mas não era possível sem a liberação do nosso principal mercado", afirmou o presidente da Aprosoja, Carlos Fávaro, em comunicado.
A Monsanto havia firmado um acordo com a cadeia produtiva de lançar comercialmente a variedade transgênica de segunda geração somente depois do aval da China. "Se plantássemos sem a certeza de que a China aceitaria o produto, poderíamos sofrer um embargo e consequências gravíssimas para a agricultura de Mato Grosso", explicou Fávaro. Outras duas tecnologias, a CV127 e Liberty Link, também foram liberadas.
Itamaraty
O encontro do ministro Antônio Andrade com seu colega chinês Han Changfu para tratar da questão da liberação dos transgênicos não constava da agenda do brasileiro. Os parlamentares ligados ao agronegócio, principalmente o senador Blairo Maggi (PR/MT), que recentemente esteve na China para tratar do assunto, pediram ao ministro que fosse o interlocutor junto ao governo chinês. Informações de bastidores dão conta de que o Itamaraty foi contra as conversações bilaterais, mas Antônio Andrade recebeu autorização da própria presidente Dilma Rousseff para encaminhar o pleito dos agricultores.
Esta é a segunda vez que o Itamaraty fica no meio do caminho nas negociações entre os produtores de soja e os chineses. Recentemente, durante um evento com autoridades chinesas no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), em Brasília, a Aprosoja não pôde assinar dentro do prédio um acordo de cooperação com a Câmara de Comércio de Gêneros Alimentícios da China, porque não se tratava de um assunto de governo
