Rural

IICP teve deflação de 0,25% em março

Recuo de preços de fertilizantes e fretes influenciou indicador, que ainda não retornou aos patamares anteriores à pandemia

Calculado pela assessoria econômica da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) recuou em março pelo sétimo mês consecutivo. No período, o indicador apontou queda de 0,25% na comparação com o de fevereiro. O resultado é atribuído à redução dos preços de fertilizantes e fretes. Em 12 meses, o IICP acumula deflação de 21,96%, divulgou a Farsul nesta quinta-feira (20).

Segundo a economista Danielle Guimarães, o comportamento dos custos reflete uma “acomodação do mercado” após a disparada dos valores de fertilizantes desencadeada pela pandemia de Covid-19 e intensificada, no ano passado, pela eclosão da guerra entre Rússia e Ucrânia. O Brasil importa 80% do adubo que consome, sendo o país euroasiático o principal fornecedor do insumo. “O mercado ‘antecipou’ a expectativa de que faltaria fertilizante no Brasil e, com o medo da escassez, o preço começou a subir”, observa Danielle. A queda dos preços do petróleo no mercado internacional em março, explica a economista, teve impacto no preço do óleo diesel, reduzindo os custos com o transporte de grãos.

Apesar da trégua sinalizada pelo IICP, a assessoria econômica da Farsul destaca que os custos da lavoura ainda se encontram em níveis historicamente altos, acima dos indicadores pré-pandemia. “Vivemos um processo inflacionário na economia brasileira, então a gente talvez não volte a esses patamares”, avalia Danielle.

Em março, o Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) mostrou deflação de 2,94% na comparação com fevereiro, refletindo a queda das cotações da soja e do milho. Danielle observa que, apesar das perdas causadas pela estiagem no Rio Grande do Sul, a expectativa de colheita recorde no Brasil neste ano vem puxando para baixo os preços das commodities. Divulgado em março, o 7º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção de 153,6 milhões de toneladas de soja, 22,4% superior à do ciclo passado. Para o milho, a previsão é de 124,8 milhões de toneladas, um aumento de 10,4%. No acumulado em 12 meses, o IIPR teve um declínio de 15,26%.