Rural

Impacto do clima é tema do Debates Correio do Povo Rural

Discussão encerrou ciclo de encontros na Casa do Grupo Record RS na Expodireto

Discussão encerrou ciclo de encontros na Casa do Grupo Record RS na Expodireto
Discussão encerrou ciclo de encontros na Casa do Grupo Record RS na Expodireto Foto : Alina Souza
Embora ainda não haja consenso sobre os seus efeitos, o impacto das mudanças climáticas na agricultura tem sido tema de diversas pesquisas do setor. No ano passado, uma delas, da Esalq/USP, colocou o Rio Grande do Sul como o segundo estado mais vulnerável ao impacto do clima na produção de alimentos no Brasil. Neste contexto o uso da tecnologia e os cuidados com o solo podem se tornar aliados para combater os efeitos das intempéries. O tema foi abordado ontem, na Casa do Grupo Record RS, no Parque da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. A discussão encerrou o ciclo Debates Correio do Povo Rural da 17ª edição da feira.

Práticas como o plantio direto e o uso de tecnologias foram citados como forma de minimizar os efeitos do clima na produção de alimentos. O secretário estadual de Agricultura, Ernani Polo, destacou a relação dos solos com o clima e a produção. Polo salientou que nos últimos anos as chuvas têm ocorrido em volumes muito grandes em curtos espaços de tempo.

“Neste sentido, ter um solo com cobertura, com bom manejo e descompactado é fundamental”, observou. Não tendo essas condições, alertou o secretário, a erosão ocorre com frequência. Ele destacou, ainda, que o sistema de plantio direto, que revolucionou a agricultura brasileira, envolve principalmente a rotação de culturas. O plantio de soja em cima de soja por um período longo, pontuou o secretário, pode levar à dificuldade de controle de pragas e doenças. “Aí entra o milho, que cumpre o papel de deixar o solo mais poroso. Isso significa mais infiltração de água”, lembrou.

O desafio, porém, vai além da disponibilidade de água e da conservação dos solos. O coordenador das câmaras setoriais da Secretaria da Agricultura, Rodrigo Rizzo, destacou que uma dos principais dificuldades, hoje, é armazenar a água para quando houver necessidade. Ele ressaltou que as análises climáticas já preconizam uma redução dos índices pluviométricos para a próxima safra  Diante do quadro, sugeriu que se busque um meio termo entre o que a academia diz e a prática vista no campo.

Para o presidente da Comissão de Irrigantes da Farsul, João Augusto Telles, a relação entre o clima e a produção de alimentos pode ser observada pelo desempenho da economia em anos em que ocorre estiagem. “O item mais importante na economia é a água. Quando falta água, o Produto Interno Bruto fica negativo. Quando sobra, fica positivo”, observou. O dirigente ressaltou que, enquanto a agricultura é criticada por movimentos ambientalistas, muitos não reconhecem a importância do plantio direto para a preservação ambiental. Telles comparou o sistema ao programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC). “O plantio direto foi um ABC sem linha de crédito e foi o produtor, a duras penas, que fez por conta e risco esse movimento”, destacou.

Para o presidente da Ocergs-Sescoop/RS, Vergílio Perius, práticas como a adoção da rotação de culturas e o sistema de plantio direto mostram que a agricultura não pode ser apontada como culpada pelas mudanças climáticas. “O próprio CAR (Cadastro Ambiental Rural) veio para isso e está mostrando que os produtores estão dispostos a cooperar com a conservação”, afirma. Longe de ser o vilão do aquecimento, Perius afirma que o setor primário protege o clima, o que pode ser verificado especialmente na situação de rios que circundam áreas produtivas, como o Uruguai, em contraste com os rios localizados em áreas urbanas. “Dizer que a agricultura deteriora o clima é um crime. A agricultura protege os rios e os rios do campo conservam o nosso meio ambiente”, acrescentou.