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Incerteza nos EUA pode afetar indiretamente mercado gaúcho de carne

Suprema Corte barrou tarifas de importação, mas ameaça de novas taxas por Donald Trump aumenta volatilidade global

Impacto na formação dos preços globais é um dos principais riscos
Impacto na formação dos preços globais é um dos principais riscos Foto : Tânia Rêgo / Arquivo Agência Brasil / CP

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de barrar tarifas para importações trouxe alívio momentâneo aos mercados globais, mas a sinalização do presidente Donald Trump de impor uma taxa de 15% recoloca incertezas. No caso da carne gaúcha, a presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Antonia Scalzilli, afirmou neste domingo que o mercado internacional de carne é muito sensível. “Essas decisões políticas e jurídicas sempre impactam bastante e a gente tem bastante atenção.”

Segundo ela, as declarações de Trump recolocam um grau de incerteza. “Nunca é saudável para nenhuma cadeia produtiva. E para nós, na pecuária brasileira e especialmente no Rio Grande do Sul, o impacto sempre vai depender de dois fatores centrais: o volume efetivo exportado para os Estados Unidos e o efeito indireto sobre a formação dos preços globais.”

Os Estados Unidos são um mercado relevante, mas é pequeno se comparado com os destinos de carne brasileira, informou Antonia.

“O Brasil construiu uma diversificação bem importante de mercados ao longo dos anos. O que mais preocupa não é a tarifa em si, mas o efeito dominó que ela poderia causar. Ocorre redirecionamento de fluxos comerciais, pressão sobre os preços internacionais e aumento da volatilidade.”

A presidente do instituto avalia que o produtor gaúcho já enfrenta desafios climáticos e custos elevados. “O que a gente precisa agora é de previsibilidade”, defendeu. As medidas protecionistas, na opinião dela, travam algumas decisões de investimento e geram insegurança de forma geral. “Do ponto de vista estratégico, esse momento reforça aquilo que a gente defende há muito tempo: diversificação de mercados, acordos comerciais consistentes e competitividade interna”, afirma.

“A nossa pecuária brasileira é muito sólida, não tem quem produza tão bem e de forma tão com competitiva”, observa. Apesar da eficiência e da capacidade de adaptação, a estabilidade institucional e a previsibilidade comercial são fundamentais, conforme ela. “Faz com que a gente possa continuar crescendo de forma sustentável. Então, vamos ver. A gente sempre vai se adaptar, mas esses ruídos geram tensão.”

Números

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), em janeiro deste ano, o país embarcou 264 mil toneladas de carne bovina, obtendo US$ 1,404 bilhão. Do total, os Estados Unidos importaram 29,9 mil toneladas, somando US$ 193,7 milhões, ficando atrás somente da China como principal mercado.

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