Rural

Início do plantio da soja ainda preocupa agricultores

Umidade por conta das chuvas limita trabalho nas lavouras do Rio Grande do Sul

Ideia é que, nos próximos meses, o trabalho perdido seja recuperado
Ideia é que, nos próximos meses, o trabalho perdido seja recuperado Foto : Luiz Henrique Magnante / Embrapa Trigo / Divulgação / CP

A umidade do solo continua limitando o início do plantio da soja no Rio Grande do Sul. O Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar, apontou que a maior parte dos produtores aguardam condições mais favoráveis para começar ou para ampliar a implantação da cultura, enquanto não ocorre uma melhora do tempo.

“O excesso de chuva pode prejudicar essas culturas (de verão) também na sua qualidade e na sua produção. Mas o nosso maior desafio agora é a questão da cultura da soja, porque nós vamos ter pelas previsões do tempo uma janela muito curta (para semear)”, avaliou o presidente da Cotrijal, Nei César Manica. Conforme o calendário do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), o período de implantação segue até 28 de janeiro.

Enquanto ainda é difícil o trânsito de máquinas nas lavouras, propriedades passam por trabalhos de dessecação de plantas de cobertura e preparação das áreas. “Essa cautela também está relacionada ao risco de necessidade de ressemeadura após as precipitações intensas, considerando os custos envolvidos no estabelecimento da cultura”, explicou a Emater/RS-Ascar no documento.

“Chove vários dias, limpa o tempo dois, três dias. Se você vai tentar entrar, não vai ter condições de plantar muito tempo. Então a grande expectativa é que nós vamos conseguir fazer agora no final de outubro e novembro. Mas o produtor está preparado com equipamentos, com máquina para aproveitar o máximo possível, mas realmente é desafiador o momento do plantio”, informou Manica.

Para ele, a ideia é que, nos próximos meses, o trabalho perdido seja recuperado para que o Estado consiga colher “uma grande safra”. Segundo o dirigente, a região Sul do Estado é a que mais tem sentido o excesso de precipitação.

De acordo com a Emater/RS-Ascar, a região de Pelotas implantou as primeiras lavouras de soja em Herval, Canguçu e Piratini. Grande parte das áreas destinadas à cultura continua ocupada por pastagens, e os produtores vêm retirando gradualmente os animais, realizando a dessecação e a preparação das áreas para a semeadura.

Já na região de Soledade, o plantio da soja avançou em ritmo reduzido, ainda conforme o Informativo Conjuntural. No Centro do Estado, região de Santa Maria, estima-se que 6% da área projetada, de 786.234 hectares, tenha sido semeada. As primeiras lavouras implantadas se concentram em propriedades sem vinculação com financiamentos sujeitos às normas do Zarc, utilizando recursos próprios.

A Emater/RS-Ascar estima o plantio de 6.645.384 hectares e produtividade de 3.183 kg/ha em todo o Rio Grande do Sul nesta safra.