Rural

Soja gaúcha espera condições de solo para acelerar a semeadura

Apesar do início do período recomendado pelo Zarc, excesso de chuva limita atividades no campo

Algumas lavouras implantadas antecipadamente apresentam boa emergência
Algumas lavouras implantadas antecipadamente apresentam boa emergência Foto : Luiz Henrique Magnante / Embrapa Trigo / Divulgação / CP

O plantio da soja ainda avança lentamente no Rio Grande do Sul, mesmo após o início do período recomendado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). De acordo com o Relatório Informativo da Emater/RS-Ascar, a semeadura permanece “incipiente” e concentrada principalmente em áreas que receberam autorização para implantação antecipada em setembro. A dificuldade na maior parte das lavouras ocorre pelo excesso de umidade por conta das chuvas volumosas e frequentes, que tem dificultado o trânsito de máquinas e limitado as condições para o avanço das operações.

A maior parte das áreas destinadas à soja ainda está em preparação, com dessecação avançada e aguardando a redução da umidade do solo para receber as sementes. Algumas lavouras implantadas antecipadamente apresentam boa emergência. Nas áreas atingidas por granizo, os danos estão sendo acompanhados para avaliar a capacidade de recuperação das plantas.

Para a safra 2026/2027, a Emater/RS-Ascar estima o cultivo de 6.645.384 hectares, com produtividade projetada em 3.183 quilos por hectare e produção de 21.151.135 toneladas.

Segundo o diretor técnico da Emater/RS-Ascar Mateus Rocha, o manejo das áreas exige atenção diante da cobertura vegetal volumosa e da umidade do solo. Ele recomenda adequar a dessecação às condições ambientais e realizar ajustes nas máquinas antes da semeadura. “Regular a semeadora com sistemas de corte de palha eficientes, como discos de corte bem ajustados, e regular os mecanismos sulcadores para evitar o embuchamento, o arraste de palhada e a formação de sulcos mal fechados”, orienta.

Rocha também destaca a necessidade de controlar a profundidade da semeadura e garantir o contato adequado entre solo e semente. Segundo ele, o trânsito de máquinas deve ser evitado quando o solo estiver excessivamente úmido, já que a operação nessas condições pode provocar compactação e dificultar a abertura e o fechamento dos sulcos, prejudicando a emergência.

Entre as estratégias indicadas estão ainda a redução da densidade de semeadura para melhorar a aeração do dossel, o parcelamento da adubação nitrogenada e a manutenção de canais de drenagem superficial eficientes em áreas mais baixas. Apesar do ritmo lento neste início, Rocha não projeta perdas no potencial produtivo em razão do atraso. “Não creio em perdas no potencial produtivo pois a janela é ampla se estendendo até janeiro e a ação do El Niño deve garantir produtividade elevada”, afirma.

Janela de plantio ainda é considerada ampla

Para o presidente da Aprosoja, Irineu Orth, o ritmo lento neste início não representa um problema para a cultura. Segundo ele, o período de maior intensidade do plantio ocorre mais adiante. “O mês ideal é final de outubro e todo o mês de novembro e o início de dezembro. Esta é a janela principal no Rio Grande do Sul”, diz.

Orth avalia que a umidade excessiva dos últimos dias afetou poucas áreas de soja, justamente porque o momento ainda não corresponde ao período de maior concentração da semeadura.

“Essa lentidão não afeta a janela ideal, porque a ideal está para frente ainda. Ela pode chegar até 10, 15 de dezembro.”

O dirigente, que também atua como produtor rural, considera otimista a projeção de 6,6 milhões de hectares indicada para o Estado. Segundo ele, o número ainda pode sofrer alterações em algumas regiões devido à dificuldade de acesso ao crédito e a situações envolvendo áreas arrendadas.

Além da soja, o excesso de umidade tem afetado as lavouras de inverno, especialmente o trigo, que está em fase terminal em grande parte das áreas. Orth destaca que a cultura teve redução expressiva de área em relação a anos anteriores, enquanto parte da soja deverá ser implantada justamente após a colheita do trigo. “Então vai ter áreas que a produtividade vai ser menor. E a quantidade menor plantada foi em função de custos elevados, pouca possibilidade de ter resultado econômico dos plantadores de trigo e a perspectiva é uma safra menor, e o plantio da soja vai ser em cima do trigo, o grosso do plantio”, explica.

Com o avanço para o fim de outubro e a chegada de novembro, a expectativa é de aumento no ritmo das operações de semeadura. Até o momento, porém, as condições de umidade do solo seguem como um fator de limitação para o ingresso das máquinas nas áreas destinadas à cultura.

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