O mercado de reposição da pecuária gaúcha nesta semana nas tradicionais feiras de primavera apresentou boa liquidez, com a presença de um grande volume de animais. A avaliação é do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro), vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), divulgada em sua Análise Semanal de Preços do Gado Gordo e de Reposição. O novilho teve aumento de 9,88%, enquanto a novilha subiu 1,60%.
“Esse movimento, juntamente com as demais feiras realizadas no Estado, contribuiu para manter o mercado aquecido ao longo da semana, com destaque para o novilho, que apresentou a maior elevação nos preços, mesmo diante de animais com pesos mais elevados”, esclarece a publicação.
Conforme o NESPro, o incremento pode estar relacionado às projeções de valorização do mercado do boi gordo nos próximos períodos, o que levou os produtores a manter o interesse na reposição, principalmente na categoria novilho. “Nesse contexto, novilhos e novilhas se mantêm como categorias de interesse para os produtores que buscam antecipar a formação dos lotes e aproveitar possíveis oportunidades de valorização ao longo do ciclo produtivo”, acrescenta
Já a procura e os preços do gado gordo seguiram estáveis nos últimos dias. “Apesar da leve queda observada na cotação da vaca gorda a peso vivo, as demais categorias permanecem estáveis. Esse cenário é positivo e pode refletir a menor disponibilidade de animais gordos neste início de primavera, contribuindo para a sustentação dos preços e favorecendo os pecuaristas com expectativa de alta nas próximas semanas”, complementa a análise.
Escassez de animais
O coordenador do NESPro, professor Júlio Barcellos, avalia que os aumentos, na “situação muito peculiar”, como decorrentes de circunstâncias no âmbito internacional.
“Esses efeitos mundiais caracterizam, para os próximos cinco anos, sem dúvida alguma, um momento de escassez (de animais). De escassez por problemas de clima, políticos, econômicos. Então, tem menos gado no mundo”, descreve.
E a situação global tem repercutido em todas as instâncias, com fundamental impacto na pecuária do Brasil, o principal produtor de carne do mundo. “Nessa balança internacional, quando há uma escassez, a importância do fornecedor chamado Brasil tem um outro tipo de crescimento”, sintetiza.
Preços vão subir mais
No cenário gaúcho, atualmente tem ocorrido estabilidade de preços, época que normalmente, em outros anos, ocorriam quedas para os pecuaristas. “A carne continua estável, o consumo não caiu, então, para uma oferta limitada, a tendência é de manutenção de preços”, estima.
“Estes preços devem se manter até meados de outubro e, a partir do dia 15 de outubro, já vamos observar um crescimento dos preços pagos ao pecuarista pelo boi gordo e demais categorias animais”, complementa.
Além disso, Barcellos prevê cotações ainda superiores para o final do ano, mais especificamente com as máximas entre 15 de novembro a 15 de dezembro, visto o esperado aumento de consumo, e até, segundo ele, com novas perspectivas econômicas para o Brasil e Rio Grande do Sul. “Isso tudo gera uma onda otimista e de consumos regulares”, resume.
“Então, o cenário é muito favorável para o pecuarista gaúcho. Este cenário vem sendo observado na comercialização de reprodutores nesta temporada, onde também já tinha feito uma análise prévia afirmando que teríamos liquidez de preços. Todos os touros seriam comercializados, e é o que está acontecendo.”
As cotações só não estão superiores, lembra o professor, pelos problemas econômicos dos agricultores gaúchos, que muitas vezes também são pecuaristas, e estão descapitalizados para investir na pecuária.
“Mas aqueles pecuaristas que fazem as suas compras de reprodutores de forma quase que rotineira, anualmente, eles estão comprando e pagando aquilo que é o esperado pelo mercado, com um crescimento em torno de 5% em relação ao ano de 2025”, diz.
“Por outro lado, há muitos investimentos em matrizes, principalmente para reprodução de genética de qualidade. Então, nós estamos observando um cenário bem favorável que deverá se manter pelos próximos meses e o primeiro semestre de 2027.”
