O agronegócio brasileiro vem conseguindo plantar e crescer graças aos recursos que capta entre investidores, bancos comerciais, empresas e mercado de capitais. Esse movimento, avalia o economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antonio da Luz, é o que tem garantido a expansão do setor especialmente a partir do início dos anos 2010. São as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) e de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e as emissões de Cédulas de Produto Rural que asseguram que cada novo ciclo de semeadura tenha início de forma independente de financiamento público.
“O anúncio do Plano Safra deveria, nos últimos anos, ser feito em São Paulo e não em Brasília, e pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e não pelo governo. É do setor financeiro que vem hoje o maior volume de recursos para o campo, mesmo dentro do Plano Safra, e com recursos livres”, avalia Da Luz.
De acordo com dados do Boletim de Finanças Privadas do Agro – publicado pelo Ministério da Agricultura (Mapa) – apenas a captação de LCAs, entre janeiro e novembro do ano passado, somou R$ 512 bilhões. O volume é 14% superior a 2023 e 382% acima de 2020. As LCAs são investimentos de renda fixa que tem com foco captar recursos para financiar o setor agropecuário e são emitidas por instituições financeiras.
Ao adquirir uma LCA o investidor aloca seu dinheiro em uma instituição financeira e se compromete a direcionar os valores ao agronegócio e devolver ao investidor, com juros, ao final de determinado período.
“Aqui não há um centavo de recursos públicos, sem nenhuma burocracia governamental. É um negócio direto entre investidor, banco e produtor. Para se ter uma ideia, todo o Plano Safra 2023/2024 somou cerca de R$ 360 bilhões. Já as LCAs lançadas no mercado em 2024 somaram R$ 510,37 bilhões”, compara Da Luz.
Pelo volume de captações, a segunda posição no ranking de recursos privados direcionados ao agro vem de operações de crédito via Cédula do Produtor Rural (CPR), com R$ 465,25 bilhões em 2024, até novembro. Os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) ajudaram o campo a se desenvolver com outros R$ 148 bilhões e, por meio dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) chegaram ao produtor, também até o penúltimo mês do ano passado, mais R$ 37,99 bilhões.