Leilão para importação de arroz enfrentará baixa oferta internacional e preços em alta

Leilão para importação de arroz enfrentará baixa oferta internacional e preços em alta

Edital da Conab prevê a aquisição de 104 mil toneladas do grão beneficiado e embalado para consumo em alguns estados das regiões Sudeste, Norte e Nordeste

Thaise Teixeira

Oferta do grão beneficiado e em casca está baixa nos países do Mercosul

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As compras públicas de arroz importado, programadas para a próxima terça-feira, dia 21, devem sofrer impacto da baixa oferta e do aviltamento dos preços no mercado internacional. O pregão, cujo edital foi publicado nesta terça-feira, dia 15, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), será o primeiro a ocorrer em caráter emergencial após a tragédia climática do Rio Grande do Sul.

Contestado veementemente por entidades e produtores, o leilão eletrônico está projetado para adquirir mais de 104 mil toneladas do cereal tipo 1, produzido, beneficiado e embalado em outros países, para venda em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pará e Ceará. A operação foi autorizada pela Medida Provisória nº 1.217, que prevê a importação de até 1 milhão de toneladas da safra 2023/2024 de arroz.

“Vai ser muito difícil o governo completar a cota. Durante todo o mês de abril, conseguimos importar somente 116 mil toneladas de arroz do Paraguai, que é nosso principal fornecedor. E foi do arroz base casca e a um custo entre 900 e 950 dólares a tonelada”, alerta o analista de Mercado da consultoria Safras & Mercado, Evandro Oliveira.

De acordo com o especialista, se a quantidade total da matéria-prima adquirida pela indústria brasileira em abril fosse convertida para o cereal polido, totalizaria menos de 70 mil toneladas. “O que estão querendo comprar daria dois meses de importação do Brasil. Por isso, acreditamos que haverá muita dificuldade”, argumenta o consultor.

A baixa oferta no mercado internacional é acompanhada pelo aviltamento dos preços. Com a colheita do arroz dos Estados Unidos prevista somente para setembro e com a suspensão da comercialização externa da Índia, a estimativa é que o governo tenha que aportar mais recursos do que o previsto para fazer com que o quilo do produto chegue ao consumidor com o preço de R$ 4.

“O Paraguai está pouco interessado em comercializar com o Brasil e com o nível de pedidos elevados. O governo encontrará muita dificuldade e terá de recorrer a diversas origens, como a Ásia, e ainda subsidiar a compra, porque os valores estão muito altos”, argumenta Oliveira.

O consultor explica que, neste ano, antes da catástrofe climática do Estado e antes da MP do Executivo, o mercado trabalhava com a projeção de importar entre 1,7 milhão e 1,9 milhão de toneladas de arroz, principalmente de países como Paraguai, Uruguai e Argentina. No entanto, acredita que nem essa estimativa deva se concretizar.

“Com sorte, atingiremos 800 mil t de exportação, que devem, inclusive, cair quase a metade por conta do aperto de oferta e por conta dos nossos preços pouco atrativos no mercado internacional”, pontua o consultor.


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