A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) organizou, na segunda-feira, 25, mobilização de agricultores familiares produtores de tabaco no Rio Grande do Sul. Segundo a instituição, mais de dois mil agricultores e agricultoras familiares de diversas regiões do Estado estiveram em Santa Cruz do Sul “para dar voz aos anseios das famílias fumicultoras diante do atual cenário enfrentado no campo.”
O ato reuniu agricultores familiares, lideranças sindicais, entidades representativas e parlamentares “em defesa da valorização da produção, da remuneração justa e adequada à qualidade do tabaco produzido pelas famílias agricultoras gaúchas”, justificou a entidade.
“A mobilização reforçou a necessidade de preços justos, renda digna e mais respeito às famílias agricultoras que dedicam seu trabalho à produção de tabaco, atividade que possui papel fundamental na geração de renda e na movimentação econômica de centenas de municípios gaúchos”, acrescentou.
“O agricultor familiar está sentindo na pele o receio da comercialização e a angústia de não saber como estará o preço do tabaco a cada dia. Essa mobilização foi uma forma de dar voz aos produtores e mostrar a preocupação das famílias fumicultoras com o atual cenário vivido no campo”, destacou a direção da Fetag-RS.
Reunião no SindiTabaco
Durante a mobilização, lideranças e representantes das entidades participaram de reunião no SindiTabaco. No encontro, foi debatida a necessidade de alternativas para a equalização dos problemas gerados pelo retardo na comercialização do tabaco na região.
Conforme a Fetag-RS, representantes do Sinditabaco e de empresas afirmaram que estão ouvindo com atenção as preocupações apresentadas pelos agricultores. Segundo o Sinditabaco, as demandas serão analisadas buscando auxiliar da melhor maneira possível dentro do atual cenário enfrentado pelos produtores.
“O contexto atual também sofre influência de fatores externos, como o aumento da produção em outros continentes, a maior oferta da safra e a desvalorização do dólar frente ao real. A comercialização mais lenta e a redução nos valores pagos ao produtor vêm afetando diretamente a saúde financeira das famílias fumicultoras e a economia dos municípios ligados à agricultura familiar”, destacou a entidade.
Como encaminhamento da mobilização, ficou definido que serão realizadas reuniões em separado com as empresas, a partir das Cadecs, para aprofundar as discussões relacionadas às portarias, protocolos e demais pontos ligados ao processo de comercialização do tabaco.
Diálogo
A Fetag-RS revelou que as empresas também sinalizaram que irão dialogar com as equipes responsáveis pela condução das compras e pela relação direta com os agricultores, especialmente em relação às formas de abordagem durante o processo de classificação e negociação do produto.
Para a Fetag-RS, os encaminhamentos representam um passo importante dentro das pautas apresentadas pelos fumicultores, que seguem cobrando mais equilíbrio, valorização e respeito aos agricultores familiares dentro da cadeia produtiva do tabaco.
“Seguiremos firmes na luta em defesa dos fumicultores e da agricultura familiar. O produtor precisa ser valorizado e respeitado dentro da cadeia produtiva”, destacou a direção da Fetag-RS.
Realizada no Dia do Trabalhador Rural, a mobilização também simbolizou a força e a importância das famílias agricultoras para o desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Sul.
A Fetag-RS reforçou ainda que seguirá acompanhando a situação e que, se necessário, os agricultores familiares poderão voltar às ruas em defesa da atividade e das famílias fumicultoras.