Rural

Milho subsidiado só chegará ao campo em março

Socorro começou a se desenrolar hoje em Brasília

O milho essencial para sustentar as atividades de agricultores familiares e assentados atingidos pela estiagem e manter vivos seus animais chegará ao campo, na melhor das hipóteses, em março. Apesar da negociação envolvendo movimentos sociais, o ministério do Desenvolvimento Agrário e a secretaria de Desenvolvimento Rural se desenrolar desde dezembro, só nesta quarta-feira o socorro realmente deu a largada.

A Emater emitiu uma circular orientando seus escritórios a levantar a demanda e o número de produtores interessados no benefício, que exclui avicultores, suinocultores e criadores de gado leiteiro integrados a indústrias. Sindicatos e associações de agricultores ajudarão no levantamento. O prazo de retorno dos municípios encerra-se dia 10 deste mês. O gerente técnico estadual da Emater, Dulphe Pinheiro Machado, espera que na semana que vem já possa ser montando o sistema de distribuição.

Com o subsídio federal que ainda depende de um mecanismo de equalização, cada agricultor terá direito a até cem sacas/mês por 90 dias a R$ 19,10 a saca, o que significa o preço mínimo em vigor no país acrescido de 10%. Como o valor é bastante inferior ao autorizado no Programa Balcão em operação no Estado, ao redor de R$ 27,00 – a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) terá de deslocar milho Mato Grosso, o que levará cerca de 20 dias face à obrigatoriedade de leilão do frete e o período de remoção. O superintendente da Conab/RS, Glauto Melo, diz que infelizmente esse é o tempo mínimo considerando prazos e exigências legais.

Outra hipótese, a de doação de trigo, foi deixada de lado momentaneamente pelos obstáculos para a operacionalização, explicou o assessor de Política Agrícola da Fetag, Airton Hochscheid. Neste caso, há trigo de sobra no Estado, mas como o cereal de inverno faz parte dos estoques da Política de Garantia do Preço Mínimo seria preciso uma autorização interministerial e ainda liberação orçamentária para que a doação se concretizasse, um processo que poderia demorar até dois meses só nos gabinetes. “Isso que vivemos uma situação emergencial, imagina se não fosse”, ironizou Hochscheid.
 
Movimentos sociais ligados ao campo realizam protestos em todo o Estado, nesta quarta-feira, reivindicando socorro aos agricultores afetados pela estiagem.