Após realizarem um ato em frente à Yara Fertilizantes, no começo da manhã desta terça-feira, um grupo de mulheres ligadas ao Movimento Sem Terra seguiu de ônibus para a sede da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agraria (Incra), em Porto Alegre.
Parte das camponesas que estão acampadas no Incra sairão a partir das 14h em marcha até o prédio da previdência, onde participarão de uma audiência pública a partir das 15h30min. A reunião contará com as presenças de representantes do Ministério do Trabalho e Previdência Social. O encontro foi organizado pela Via Campesina, Levante Popular da Juventude e Marcha Mundial das Mulheres.
Mais cedo, ao menos mil mulheres ocuparam o pátio da Yara Fertilizantes, às margens da BR 290, a freeway. Conforme a dirigente estadual do Setor de Gênero do MST, Roberta Coimbra, o objetivo da ocupação é denunciar o uso abusivo de fertilizantes sintéticos e de agrotóxicos na produção de alimentos no Brasil.
A representante do Movimento dos Atingidos por Barragens Jussara Trierveiler destacou que a soja causa uma grande devastação ao campo e que a mobilização propõe um outro modelo de agricultura. "Nós defendemos a produção de alimentos saudáveis para todos. É uma agricultura ecológica, que respeita o meio-ambiente. Nós trabalhamos com adubo orgâncio, que respeita a natureza. Câncer de útero e de mama estão ligados à má alimentação. A nossa demanda é em favor da alimentação saudável", explicou.
Roberta salientou que o modelo de agronegócio adotado no Brasil está ocupando áreas que deveriam ser de reforma agrária, e impedindo a produção de alimentos saudáveis pela agricultura camponesa. O grupo não descarta promover bloqueios no trânsito na freeway. Partes do pátio da Yara Fertilizantes foram pichadas pelas manifestantes.
Políticas Públicas
A mulheres ligadas ao MST e ao MAB reivindicam ainda anulação da titulação das áreas de assentamentos, e que todas as mulheres assentadas tenham acesso a políticas públicas, como o Fomento Mulher e Kit Feira, que incentivam a produção de alimentos no modelo agroecológico.
Entre as reivindicações das camponesas também estão seminários, estudos e debates sobre a invasão do agronegócio e suas formas de atuação em áreas de assentamentos, o que causa contaminação da água e da terra, doenças e falta de perspectiva para uma produção saudável para as famílias e o meio ambiente.
As camponesas também exigem o reconhecimento definitivo e infraestrutura para o Assentamento Dom Orlando Dotti, em Esmeralda; a criação da Política de Direitos a População Atingida por Barragens (PNAB); e o assentamento das famílias do MAB que vivem no acampamento "Unidos Venceremos" de Lagoa Vermelha.
MST ocupa sede do Incra após ato em empresa de fertilizantes
Pelo menos mil mulheres participara do ato no começo desta terça-feira
