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MST ocupa sede do Incra após ato em empresa de fertilizantes

Pelo menos mil mulheres participara do ato no começo desta terça-feira

MST ocupa sede do Incra após ato em empresa de fertilizantes
MST ocupa sede do Incra após ato em empresa de fertilizantes Foto : Samuel Maciel
Após realizarem um ato em frente à Yara Fertilizantes, no começo da manhã desta terça-feira, um grupo de mulheres ligadas ao Movimento Sem Terra seguiu de ônibus para a sede da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agraria (Incra), em Porto Alegre.

Parte das camponesas que estão acampadas no Incra sairão a partir das 14h em marcha até o prédio da previdência, onde participarão de uma audiência pública a partir das 15h30min. A reunião contará com as presenças de representantes do Ministério do Trabalho e Previdência Social. O encontro foi organizado pela Via Campesina, Levante Popular da Juventude e Marcha Mundial das Mulheres.

Mais cedo, ao menos mil mulheres ocuparam o pátio da Yara Fertilizantes, às margens da BR 290, a freeway. Conforme a dirigente estadual do Setor de Gênero do MST, Roberta Coimbra, o objetivo da ocupação é denunciar o uso abusivo de fertilizantes sintéticos e de agrotóxicos na produção de alimentos no Brasil.

A representante do Movimento dos Atingidos por Barragens Jussara Trierveiler destacou que a soja causa uma grande devastação ao campo e que a mobilização propõe um outro modelo de agricultura. "Nós defendemos a produção de alimentos saudáveis para todos. É uma agricultura ecológica, que respeita o meio-ambiente. Nós trabalhamos com adubo orgâncio, que respeita a natureza. Câncer de útero e de mama estão ligados à má alimentação. A nossa demanda é em favor da alimentação saudável", explicou.

Roberta salientou que o modelo de agronegócio adotado no Brasil está ocupando áreas que deveriam ser de reforma agrária, e impedindo a produção de alimentos saudáveis pela agricultura camponesa. O grupo não descarta promover bloqueios no trânsito na freeway. Partes do pátio da Yara Fertilizantes foram pichadas pelas manifestantes.

Políticas Públicas


A mulheres ligadas ao MST e ao MAB reivindicam ainda anulação da titulação das áreas de assentamentos, e que todas as mulheres assentadas tenham acesso a políticas públicas, como o Fomento Mulher e Kit Feira, que incentivam a produção de alimentos no modelo agroecológico.

Entre as reivindicações das camponesas também estão seminários, estudos e debates sobre a invasão do agronegócio e suas formas de atuação em áreas de assentamentos, o que causa contaminação da água e da terra, doenças e falta de perspectiva para uma produção saudável para as famílias e o meio ambiente.

As camponesas também exigem o reconhecimento definitivo e infraestrutura para o Assentamento Dom Orlando Dotti, em Esmeralda; a criação da Política de Direitos a População Atingida por Barragens (PNAB); e o assentamento das famílias do MAB que vivem no acampamento "Unidos Venceremos" de Lagoa Vermelha.