Rural

Municípios querem criação de zona franca no Vale dos Vinhedos

Iniciativa é encabeçada pela Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos

Municípios querem criação de zona franca no Vale dos Vinhedos
Municípios querem criação de zona franca no Vale dos Vinhedos Foto : Monica Rachele Lovera / Especial / CP
Os municípios que integram o Vale dos Vinhedos aguardam o resultado de um estudo do Ministério da Fazenda que vai avaliar o impacto da proposta de criação de uma zona franca de vinhos na região. Lideranças políticas, empresariais e de produtores acreditam que a iniciativa estimule o enoturismo, fazendo com que a bebida vendida no local tenha uma carga tributária diferenciada e, como consequên-cia, preços menores.

A iniciativa é encabeçada pela Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale) e pelas prefeituras de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul. A zona franca - a exemplo do que ocorre em Manaus (AM) - pressupõe uma redução ou isenção de tributos, que, segundo o prefeito de Bento Gonçalves, Guilherme Pasin, seria aplicada ao varejo e não à indústria. Todos os vinhos brasileiros vendidos no Vale dos Vinhedos, mesmo que não produzidos na região, seriam beneficiados com a carga tributária diferenciada pelo período de dez anos.

O projeto já foi apresentado ao governador José Ivo Sartori e ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e agora aguarda o parecer do Executivo federal. “Conseguimos demonstrar ao governo que abrir mão, neste projeto, dos recursos tributários, é algo muito pequeno diante dos benefícios que poderão vir”, confia Pasin.

O imposto representa 54% do valor de cada garrafa de vinho vendida no Brasil. A proposta inclui alterar tributos das três esferas de governo. O argumento utilizado pelo setor é o da agregação de tributos a partir do estímulo a novos empreendimentos, como hoteis, comércio e outros. “Ao invés de isentar, estaremos incrementando ainda mais a tributação”, defende Pasin.

Após os dez anos de vigência da redução, os empreendimentos continuariam em funcionamento, o que, para Pasin, reforça o benefício da adoção da zona franca. Além disso, o prefeito diz que o tributo do varejo representa uma parcela mínima da carga aplicada ao vinho. Segundo Pasin, para o governo federal a importância seria “da quinta casa decimal depois da vírgula”. Mesmo assim, a expectativa é de que a redução do valor de cada garrafa fique em 40% a 50%. “A gente passa a ganhar competitividade. Hoje o vinho nacional tem uma qualidade muito grande, o que nos deixa de lado na prateleira é a questão do preço”, afirma.

O presidente da Aprovale, Márcio Brandelli, confessa estar “com o pé atrás”, já que o momento é de ajuste fiscal nos governos federal e estadual, o que pode reduzir as chances de uma isenção de tributos. Mas destaca que a zona franca “seria uma amplitude de ganho gigantesco, um incentivo muito grande ao pequeno produtor, aquele que produz suas uvas e faz poucas garrafas de vinho”. No Vale dos Vinhedos, a produção de vinhos envolve 35 vinícolas e 2,5 mil empregados.