Rural

Novas culturas chegam à região do fumo

Procura por alternativas ao tabaco se intensificou no Vale do Rio Pardo

Criação de coelho e produção de mel ganharam espaço
Criação de coelho e produção de mel ganharam espaço Foto : Rodrigo Assmann / Gazeta do Sulo / Especial / CP
A procura por alternativas ao tabaco se intensificou no Vale do Rio Pardo. Além do maior rigor da classificação que deprime a receita do produtor, o cerco contra o tabagismo é uma realidade. O município de destaque em diversificação é Venâncio Aires, maior produtor de fumo no país - com 12,4 mil hectares cultivados. Em 2011, 500 famílias procuraram o escritório da Emater na cidade para fazer consultas sobre atividades como abacate, citros, aipim, bovinos de leite, suínos e aves. Não que todos tenham iniciado novos projetos, mas o interesse é notável. O desafio é achar atividades que se consolidem tão lucrativas quanto o fumo. Segundo o chefe do escritório da Emater em Venâncio Aires, Vicente João Fin, a lei que determina a utilização de 30% dos recursos para compra de produtos da agricultura familiar para a merenda escolar animou os fumicultores. Ainda assim, alerta que é preciso evitar concentração. Entre dez e 15 famílias por atividade em cada município é considerado o número ideal.

Deu branco na lavoura do tabaco

Embora a produção de fumo ainda continue sendo individualmente a principal atividade na propriedade de Edson Ricardo Schwendler, localizada em Venâncio Aires, a criação de coelho e produção de mel ganharam espaço definitivo no negócio familiar. Juntas, já representam algo como 60% da renda dos Schwendler - sendo que os outros 40% correspondem ao fumo. Prova disso é que, de 50 mil pés cultivados na penúltima safra, ele reduziu para 30 mil na última. O principal investimento nos últimos anos ocorreu na criação de coelhos, um total de R$ 60 mil, financiados pelo Pronaf. Para um criador que começa do zero, a previsão do desembolso para um plantel de cem matrizes é de R$ 35 mil. O valor inclui instalações, reprodutores, matrizes e R$ 5 mil em ração - base da nutrição dos animais até a primeira venda.

A ideia de aderir à cunicultura surgiu durante a Fenachim de 2008, em Venâncio Aires, onde Schwendler expôs o mel da sua agroindústria. A Secretaria Municipal de Agricultura apresentou um plano de incentivo à criação de coelhos e ele decidiu aproveitar um galpão antes utilizado para a criação de suínos. Um dos atrativos é o preço da carne ao produtor. O valor bruto de venda gira em torno de R$ 13,00 por exemplar, sendo que o custo de produção oscila entre R$ 7,50 e R$ 9,00/animal - com sobra líquida de R$ 5,00.

No começo, Schwendler desenvolveu o negócio com 120 matrizes e cem ninhos, com a produção de 300 coelhos a cada 21 dias. Na época, ele entregava os animais a um produtor da região do Vale do Caí. Para tornar o negócio mais rentável, ele decidiu, em 2010, ampliar o galpão para 300 matrizes, quando passou a aprontar 500 coelhos a cada 21 dias, com plantel total de 2,7 mil animais.

Como parte do plano de expansão, ele se uniu a outros produtores do município, com os quais formou a Associação dos Cunicultores de Venâncio Aires (ACVA). Juntos, eles produzem 3 mil animais a cada 21 dias. O grupo passou a levar a produção para São Paulo, chegando a 1,79 mil animais na última carga, dividida em dois lotes. Depois de quatro embarques, eles decidiram interromper o fornecimento, pois os problemas logísticos levaram parte do lucro, pela perda de peso durante a viagem e as despesas de frete. O negócio deverá ganhar novo impulso com a ativação do Frigorífico Panke, de Santa Cruz do Sul. A empresa foi habilitada pelo Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal.


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