Filho, neto e bisneto de produtores, Andrade assegura que está preparado. “Ao lado de São Pedro e dos produtores, enfrentaremos as dificuldades das safras para bater recorde em cima de recorde”, pontuou. O principal dos desafios, segundo Andrade, é solucionar os impasses de comercialização e logística que travam a expansão da agricultura brasileira. “Precisamos aproximar o produtor da clientela”, disse. A atenção ao escoamento da safra está entre os pedidos feitos ao ministro pela presidente Dilma Rousseff em reunião a portas fechadas. Segundo ele, Dilma está muito atenta ao cenário do agronegócio e solicitou que cuide para que a produção chegue ao consumidor com baixo custo e dedique tempo à seca no semi-árido.
Ainda sem grandes projetos, Andrade comentou que pretende ouvir o setor antes de qualquer atitude. Para isso, na próxima semana, irá marcar agenda com lideranças. Questionado sobre um suposto ressentimento de produtores do RS com a substituição de Mendes Ribeiro, o novo ministro garantiu: “Fiquem tranquilos. Daremos a atenção para o agronegócio do Sul. Sabemos da importância que o RS tem para o setor produtivo”. Segundo ele, colegas da bancada ruralista já iniciaram negociações antes mesmo da indicação.
O novo ministro tem 55 anos e nasceu em Patos de Minas (MG). Formou-se em Engenharia Civil, mas manteve-se no campo, criando gado Gir, Gir Leiteiro e cultivando soja e milho.
Troca deve emperrar a pasta
A substituição de Mendes Ribeiro Filho pelo pecuarista mineiro Antônio Andrade deve emperrar, pelo menos por alguns meses, a engrenagem do Ministério da Agricultura. Resultado da minirreforma ministerial da presidente Dilma Rousseff, a mudança, antecipada pelo Correio do Povo, deve resultar em trocas também no segundo escalão, incluindo diretores que cuidam de áreas relevantes.
A previsão é que o novo ministro enfrente um período de artilharia pesada de cerca de 8 meses. “Ele precisará conhecer a equipe, se apresentar ao setor e criar interlocução com o governo”, exemplificou uma fonte do Planalto.
Entre os principais problemas no caminho estão: a aprovação do Plano Safra 2013/2014 em curto espaço de tempo, o combate à lagarta do algodão na Bahia e o impasse comercial criado após o caso não convencional de vaca louca no Paraná. Também engrossam essa lista a crise de armazenagem, o bloqueio às carnes imposto pela Rússia e o boicote da Argentina.
Outro temor é que Andrade deixe a Pasta em 2014 para tentar a reeleição. “Os temas complexos da agropecuária exigem alguém definitivo”, frisou o presidente da SRB, Cesário Ramalho. No RS, o setor leiteiro espera apoio. “Esperamos posicionamento para limitar a entrada de leite do Uruguai”, pontuou o diretor da Farsul Jorge Rodrigues.
